Visitas Obrigatórias:
1- Antes da reunião, esfregar bastante, ambos os olhos;
2- No inicio da reunião, forçar uns espirros (no meu caso arrancar um pêlo do nariz foi o suficiente, além de ter a vantagens de pôr os olhos a lacrimejar) certificando-se que os mesmos provocam bastantes perdigotos e que atingem o máximo de pessoas possíveis (principalmente o responsável pela marcação da reunião);
3- Após os espirros, assoar-se ruidosamente e dizer (com voz fanhosa): “Talvez tenha sido má ideia ter ido passar as férias da Páscoa ao México….”
As pessoas do mundo MEO dizem, ao pai mafarrico, que o assunto é complexo. As pessoas do mundo TMN pedem para ligar para um número qualquer do mundo TMN e despedem-se sempre com simpático “Até já” no final do mail. O pai mafarrico dá-lhes o seu número de telemóvel (que não pertence ao mundo TMN) e pede-lhes que sejam eles a ligar-lhe, terminando igualmente com um “Até Já”. Fica depois, ansiosamente, a aguardar que o seu telemóvel toque. Mas, tal como acontecia na sua adolescência (com determinadas mafarricas a quem o pai mafarrico dava o seu número de telefone) ninguém lhe liga, pelo que fica um pouco abatido (principalmente pelas tristes recordações da sua adolescência que isso lhe provoca).
No meio de tudo isto a mãe mafarrico arranjou assunto de conversa para os serões nocturnos, deixando de telefonar à sogra mafarrica.
O pai mafarrico cada vez está mais abatido com tudo isto e mais abatido fica quando recebe duas cartas. Uma do mundo TMN dizendo que se não pagar a mensalidade, cortam-lhe o serviço de banda larga móvel, devendo depois pagar mais uns 30€ para o reactivar. E do mundo MEO transformaram um complexo problema, numa simples resposta de um parágrafo:
"Após análise dos nossos sistemas de informação relativamente ao Serviço Banda Larga Móvel, não verificamos qualquer incorrecção aos valores facturados. Face ao exposto não nos é possível deferir o pretendido." – digo, e volto a repetir o mesmo parágrafo, talvez levado pela emoção, num tom um pouco mais elevado.
- Pai. Pára! Essa história já me está a chatear e não tem piada nenhuma- diz-me ela enquanto lava os dentes. Mas agora já nada me podia parar...
- O pai mafarrico, depois dos “Até Já”, das vozes simpáticas que ouvia quando telefonava para o mundo MEO, da solidariedade que sentia nessas pessoas, das simpáticas trocas de mail, sentiu, nesta fria carta, uma certa atitude de rejeição e, mais uma vez, momentos dolorosos da sua adolescência lhe vieram à mente.
Voltou a mandar mails, a telefonar, a enviar comprovativos que provavam que não tinha tido gasto a Internet que lhe diziam. Telefonou até para o mundo TMN onde, após 4 € de conversa, lhe deram razão, e lhe deram outro número (TMN) para ele ligar e onde após, mais uns 5€ de conversa, percebeu que alguém, do Universo PT, tinha escolhido, por ele, um tarifário banda larga à sua medida (tal e qual o mesmo comportamento que a mãe mafarrico tinha quando compra roupa ao pai mafarrico).
O pai mafarrico cada vez se sentia mais isolado. Do mundo PT voltaram a dizer-lhe que o seu assunto era complexo, pelo que aguardou mais uma carta de rejeição. Do mundo TMN, pouco ou nada lhe diziam. A mãe mafarrico, no meio de tudo era aquela que ainda dizia mais. O pai mafarrico sentiu que tudo isto lhe estava a afectar a qualidade da sua vida matrimonial, devido, não só, às constantes recordações da adolescência, mas também pelo perda frequente de séries da TV por a mãe mafarrico lhe exigir interactividade nas conversas sobre este problema. Percebeu, no meio disto tudo que, dentro do Universo PT, os mundos, que lá existem, não se entendem uns com os outros. Um mundo dizia que a culpa era do outro e o outro dizia que era do um. E no meio de tudo isto, o pai mafarrico servia como simples mensageiro. Um dia fartou-se e resolveu escrever para a Defesa dos Enganados pelos Universos Sobranceiros (DEUS). Com a ajuda de DEUS, o pai mafarrico conseguiu, finalmente, que alguém do Universo PT lhe telefonasse e lhe dissesse que tudo iria ser resolvido, tal como o pai mafarrico desejava.
- Porra pá!!! Até quando é que vais continuar a inventar histórias que contam sempre a mesma merda? Queres que te diga que és um herói? Desliga mas é a luz e vê se dormes e me deixas dormir. Que trauma de merda tu apanhaste com essa história. Se me deixasses ser eu a resolver o problema, garanto-te que a essa história não durava metade do que durou. Vê lá agora se a esqueces e me deixas dormir em paz. – diz a minha mulher, ainda irritada, certamente pelo que se passou ao jantar, antes de me obrigar a desligar a luz e a virar-me para o outro lado da cama.
- Agora o pai mafarrico vai pedir ajuda a DEUS para que o Universo Caixa Geral de Depósitos o trate como deve ser e deixe de lhe cobrar, todos os anos, um prémio de seguro errado. – digo baixinho e com um sorriso maquiavélico, antes de levar com uma almofada na cabeça.
- Pai, não gosto da comida.- diz ela, mal disposta.
- Eu também não, mas já a consegui acabar. – digo, com algum mal estar.
- Vocês são uma cambada de ingratos. Qualquer dia deixo de vos fazer comida. – responde a causadora de toda esta agonia. Deixando depois a cozinha (bastante irritada), só porque a sua última frase nos provocou um bater de palmas, totalmente espontâneo.
- Conta-me uma história para me ajudar a comer. – pede-me ela, após mais uma garfada e respectivo esgar.
- Era uma vez – começo – num país muito, muito perto, uma família muito feliz de mafarricos…
- O que são mafarricos? – interrompe-me ela.
- Se me voltas a interromper, meto-te mais comida no prato.
- Desculpa. Podes continuar.
- Havia o pai mafarrico, a mãe mafarrica e a filha mafarrica. Viviam muito felizes dentro da sua casinha. Um dia bateram à porta e a mafarrica mais pequena foi abrir. Era um mafarrico muito elegante, o qual, mal viu a porta a abrir, entrou na casa e afirmou que estava ali para mudar a vida dos mafarricos. Muito bem falante, começou a contar sobre as maravilhas que tinha ali numa caixa que trazia, bem escondida debaixo da sua capa. Dizia que, com aquela caixa, mundos desconhecidos iriam aparecer, por magia, à frente dos olhos. Dirigiu-se à mafarrica mais pequena e contou-lhe de mundos com desenhos que se mexiam e de brinquedos que ganhavam vida. Para o pai mafarrico, falou em mundos de comédia e drama, para a mãe mafarrico falou em mundos de moda e decoração, o que levou a uma discussão da mãe mafarrico sobre os porquês do mafarrico bem falante assumir que, por ela ser mafarrica, só lhe interessavam os mundos de futilidades. Mas a discussão depressa acabou, quando a mãe mafarrico se lembrou, em pânico, que ainda não tinha escolhido a roupa para a filha mafarrico levar no outro dia à escola.
O mafarrico bem falante, falou ainda de chamadas telefónicas de borla, o que fez os olhos do pai mafarrico brilharem, ao pensar que a mãe mafarrico poderia agora ficar horas a falar com a sogra mafarrico e assim deixar mais tempo o pai mafarrico em paz. Falou também de uma Internet sem limites. Da possibilidade de terem também acesso a essa rede quando vão para fora, o que fez, mais uma vez, os olhos do pai mafarrico brilharem, ao pensar que assim já não lhe iria custar tanto ir visitar a sogra mafarrico.
Antes que a mãe mafarrico acabasse de escolher a roupa da filha mafarrico, o pai mafarrico assinou um papel que lhe deu entrada nesse fantástico mundo da MEO.
A mãe mafarrico fartou-se de gritar com o pai mafarrico, por ele ter assinado o papel sem ela ser tida em conta, mas o pai mafarrico não ligou muito. Ainda tinha os olhos a brilhar.
Tudo foi tratado e tudo foi resolvido, e no inicio tudo correu como o mafarrico elegante tinha prometido: o pai mafarrico e a filha mafarrico bulhavam pelo telecomando e a mãe mafarrico gastava a sua voz a falar com a sogra mafarrico, e em casa dos mafarricos a paz estava instalada.
Mas um dia, o pai mafarrico recebeu dois papéis. Um do mundo Meo e outro do mundo TMN. Esses papéis deixaram o pai mafarrico furibundo. Neles estava escrito que o pai mafarrico tinha que pagar muito dinheiro pela Internet móvel à Meo e uma assinatura pelo uso da mesma Internet Móvel, à TMN.
Foi a partir desse dia que tudo mudou e o mundo de paz destes mafarricos terminou…