Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008
Tempos....
Quando o tempo que a minha mulher demora a pentear a nossa filha, é ultrapassado pelo tempo que o Windows demora a arrancar, a conclusão só pode ser uma: chegou a altura de mudar, definitivamente, para Linux.
Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008
Confissões.....
- Nunca vais deixar de gostar de mim? - pergunta-me, pouco depois de chegar a casa pousar os sacos e dar-me um beijo.
- Gastaste assim tanto dinheiro nos saldos? - pergunto-lhe, em pânico.
- Não sejas parvo! - diz, aborrecida - Quando vinha no carro, pus-me a pensar em nós e na nossa relação. Cheguei à conclusão que, por vezes, implico um bocadinho, por causa de coisas triviais, contigo e com a nossa filha.
- Tens a certeza que não gastaste dinheiro a mais? - pergunto, com a sensação de pânico a aumentar.
- Não! Estou a falar a sério! Acho que embirro contigo por coisas pequenas, e acho que tens razão em ficar chateado, quando isso acontece.
Optei por não dizer mais nada, pois quando a nossa mulher começa no "mea culpa", um bom marido deve-se limitar a prestar o máximo de atenção, tentando assim gravar na sua memória tudo o que está a ouvir, para poder vir a utilizar um dia mais tarde.
- Penso que este é um dos meus piores defeitos. Este e também o facto de, quando discutimos, te dizer coisas sem pensar e que te magoam. Tens tido muita paciência comigo e és, sem dúvida, o homem da minha vida.
Foi aí que comecei a sentir um nó na garganta. E há medida que ela ia desfilando os seus defeitos e apontando as minhas qualidades, comecei a sentir o nó cada vez mais apertado, e os meus olhos prestes a rebentar em lágrimas. "Porra! Esta mulher é demais!" pensava eu. Foi então que, no meio de uma sentida declaração de mudança do seu comportamento, não aguentei! Já com algumas lágrimas a correrem-me pela face, agarrei na sua mão, e gentilmente, conduzi-a para o único sitio onde tudo fazia sentido: A nossa garagem, na qual jazia o nosso pobre carro, com um dos faróis partido, uma mossa enorme no capot, e pingando água do radiador......
Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008
E o vencedor é.......
Aí está finalmente, o resultado do fabuloso concurso: "Quem melhor engraxa o casado, para este lhe dar um livro."
Tenho que confessar que houve alguma dificuldade em escolher o melhor comentário, pois entre chantagens com mousses, poesias, duetos de espíritos, apelos desesperados, gritos de paixão pela minha pessoa (infelizmente não houve muitos), e chantagens sexuais por parte da minha mulher, ganhou este último.
Ou seja, aquele que para a minha mulher foi o melhor comentário. E assim mais uma valiosa lição há que tirar disto: "Quando fizeres concursos, se não sabes se vais gostar da opinião da tua mulher, simplesmente, nunca a peças"
Bom, estou a exagerar, pois ela não escolheu o comentário vencedor. Seleccionou dois comentários para eu escolher. Eu, após uma avaliação muito esforçada (a moeda que enviei ao ar, caiu para baixo da mesa da cozinha, e infelizmente já não tenho a flexibilidade dos vinte anos) escolhi como vencedor, o comentário:
"Se, um dia, eu constituir família e tiver filhos, a culpa é sua!" da
Violeta.
E porquê? Para isso nada melhor do que passar a palavra ao Presidente do Júri, a minha mulher:
"Simplesmente, porque é um comentário que mostra o que de melhor este blog tem: a capacidade de divertir as pessoas, fazendo-as ver que em tudo na vida, e principalmente numa relação a dois, podemos olhar para o que nos acontece ou, como obstáculos intransponíveis, ou, como mais um desafio que iremos ultrapassar."
Depois disto, sinceramente para mim, este blog apenas mostra a hipocrisia do seu subtítulo, ou então mostra um estranho impulso de mandar certas responsabilidades para cima da minha mulher....
Peço pois à vencedora que me envie um mail com a sua morada para receber o livro. A todos agradeço a participação e quem sabe....pode ser que a minha filha estrague outro livro.....
Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008
A minha mulher é medium.....
A minha mulher tem um grave problema com o álcool: Sempre que bebe um pouco mais do que o normal, fica possuída por estranhos espíritos. Começa por ficar possuída pelo espírito do brilhante Agostinho da Silva, ou seja, avança com o que parecem ser grandes teorias filosóficas, mas, com a dicção enrolada própria desse espírito, torna-se difícil perceber o que diz. Se continuar a beber, deixa entrar nela o espírito de Amália Rodrigues, começa (também com a dicção da fadista) a falar, com grande nostalgia, dos tempos passados, e termina sempre com exagerados agradecimentos, a todos os que se encontram à sua volta (sejam eles conhecidos, ou não) por estarem ali, por a ouvirem e por a estimarem.
Se não a consigo impedir de beber mais, vem até ela o espírito mais tenebroso de todos: o da falecida Edith Piaf. Quando tal espírito se apodera dela, a primeira coisa que faz, é obrigar a minha mulher a subir para o ponto mais alto que encontra (seja uma cadeira, uma mesa, ou um palco onde uma banda está a tocar músicas para entreter as pessoas na passagem de ano). Depois disso, obriga a minha mulher a cantar a sua canção preferida: "Non, je ne regrette rien." E é aí que surge o grande problema, pois este, ao contrário dos outros, é o único espírito que não consegue mudar a voz da minha mulher, pelo que também lhe chamo de espírito "fim de festa".
Para tentar exorcizar a minha mulher, aluguei o
mais recente filme que conta a história de Edith Piaf. Se teve qualquer efeito, ou não, ainda não sei (talvez no Carnaval consiga saber) mas trata-se de um filme que é, sem dúvida, um espelho do espírito que ataca a minha mulher: corre sem destino e não se deixa apanhar com facilidade.