Visitas Obrigatórias:
- É de casa do Srº Luis? - perguntam ao telefone
- É o próprio. - respondo.
- Srº Luis, chamo-me.... e estou-lhe a telefonar para o convidar a assistir a..blá blá blaá...hoje às 18 horas.
- Com certeza. Posso levar um doce?
- Srº Luis. Não é necessário trazer nada. Basta o Sr. vir e trazer a sua esposa.
- Mas eu não gosto de ser convidado e não levar nada. Não fui assim educado. E ainda por cima a minha mulher acabou de fazer um doce excelente, e olhe que isto é coisa rara. - disse eu, com uma estranha sinceridade- Por isso, se não se importa nós levamos uns frasquinhos com doce. Têm pão, ou é preciso levar?
- Sr. Luis (pausa para suspiro) Trata-se de uma apresentação de um produto, para o qual estamos a convidar apenas pessoas seleccionadas e o Sr. e a sua esposa tiveram a felicidade de serem escolhidos.
- Bom, já percebi. É uma coisa assim mais formal, certo?
- Sim.- responde, com um suspiro de alívio.
- Nesse caso, o melhor é então levar uma garrafinha de vinho do Porto. E têm pão?
- Está a gozar comigo? - pergunta ela, irritada.
- Peço muitas desculpas se a ofendi, garanto-lhe que não foi essa a minha intenção. E se for uma garrafa de Champanhe, do verdadeiro? Sou também capaz de arranjar uma latinha de caviar, mas acho que é falsificado. Assim já serve? E têm pão?
- Se não quer vir bastava dizer, não precisava deste teatro todo. - reage a moça, irritada.
- Agora é vossemecê que me está a ofender!! Se acha que nós não temos condições para ir à sua festa fina, podia ter dito logo! Eu e a minha mulher somos pessoas simples! (fungadela) Era com muito sacrifício que estávamos a oferecer o que de melhor cá temos em casa! (fungadela) E a senhora aparentemente acha pouco! (fungadela) Assim sendo, tenha uma muito boa tarde e espero sinceramente que tenha pessoas na sua festa, porque com esses seus critérios de selecção não sei se tal vai acontecer! (fungadela) ADEUS!
- Sr. Luis. Talvez eu não me tenha feito entender correctamente. Vamos começar do inicio. Pode ser?
- Sim...(fungadela)
- Apenas queremos que o Sr. e a sua esposa venham conhecer o nosso produto hoje. Nada mais. Podemos então encontrarmo-nos às 18 horas?
- Ok...... Têm pão?
E pronto. Assim terminou mais um episódio da série “Como lidar com o telemarketing e tornar a sua mulher mais susceptível a propostas de nível sexual.”
Penso que com o tempo, é normal que os casais passem a ter problemas na cama. Não há que ter vergonha desta situação, há sim que falar, e em conjunto tentar resolver a coisa, sendo o mais franco e directo possível, ou seja, no meu caso, atribuir a culpa desta situação à minha mulher.
- Estou farto disto! - digo irritado, ao mesmo tempo que saio da cama e olho para ela.
- Ena!! A voz já tu levantas sem problemas!! – reage ela, provocando-me e adivinhando o motivo da minha irritação.
- Não comeces. Estou farto de sofrer para o teu bem. – digo, indignado pela sua ingratidão.
- Sofrer para o meu bem!! Eu é que tenho que te ouvir a noite toda, e tu é que sofres?! – responde, mais uma vez, a ingrata.
- Achas então que o facto de eu não andar a dormir, por ser obrigado a deitar-me num colchão que está elevado na zona dos pés, não é sofrer?! Por isso sim! Tenho problemas e muitos, em ter que dormir com os pés levantados!
- E as minhas varizes? Eu dormir mal por causa das varizes já não te importas? – pergunta-me ela, com cara de Bambi.
E foi aqui que aprendi mais uma importante lição de vida:
Quando as mulheres fazem perguntas com cara de Bambi, não podemos responder negativamente às mesmas, pois caso isso aconteça, elas transformam-se imediatamente em terríveis amazonas (mas sem a excitante parte sexual). Assim, e como o mal já estava feito, só houve uma solução: Agarrar no dinheiro que andava a poupar para um bonito PDA, com tudo incluído (e mais uns trocos que estavam guardados para uns jogos da Playstation) e ir ao IKEA.
Agora temos uma cama nova, com colchões individuais e estrados articulados com comando electrónico. Para além disso, estou tecnicamente falido e impedido de comprar "gadgets" nos próximos anos. No entanto, e após umas noites passadas nesta nova cama, dei por mim a pensar em formas, não só de recuperar o investimento feito, mas também de ficar com um bom pé de meia, e isto porque reparei numa grande falha que existe no mercado editorial mundial: Não existe nenhum Kamasutra para camas articuladas!!!! Assim, e porque acho que há coisas que têm que ser partilhadas pensando exclusivamente no dinheiro, será este o meu próximo livro. O qual terá como titulo: “Kamasutra para camas articuladas". Só tenho algumas dúvidas no subtítulo: "Prazer sem esforço"; ou "Carregar em botões nunca lhe deu tanto prazer"; ou ainda "O Sexo e o Telecomando”. Qual deles será o mais apelativo?
Baseado na minha experiência, penso que será possível ter o primeiro fascículo disponível ao público, no Natal de 2010.
Uma vez que nunca mais sai a 2ª, 3ª, 4ª, 5ª, 6ª, 7ª, 8ª, 9ª e 10ª edição do meu livro (muito por culpa vossa, obviamente) tenho que continuar no meu emprego a acartar com uma série de problemas que me deixam demasiado cansado, saturado e, algumas vezes, até bastante fodido, para poder ter tempo para escrever alguma coisa. Assim, e para cumprir os serviços mínimos (e isto irá manter-se até que o meu livro figure na lista dos Best‑Sellers, ultrapassando claramente o tal do “Segredo”) segue mais uma aventura das férias:
Como todos os que lêem este blog sabem, a minha mulher sofre do grave problema de mirrar se não beber água de 5 em 5 minutos. Ora, isto nas diversas visitas que fizemos por algumas cidades italianas, levava-me a andar sempre carregado com uma garrafa de 1,5 l cheias de água, envolvida por uma “capa” de cor berrante (a qual supostamente tem o objectivo de manter a água fresca). Isto também me levou a propor que, todos os itinerários pedestres que fizéssemos, não ficassem muito longe de um qualquer McDonald’s (único sítio onde se pode mijar de borla dentro das cidades italianas). Claro que esta minha proposta, como tantas outras que eu fiz ao longo destas férias, não foi minimamente tida em conta. Isto levou a que, ao longo das imensas e longas caminhadas culturais que demos, eu e a nossa filha tivéssemos que esperar, por inúmeras vezes, que a minha mulher voltasse de mais uma busca por uma casa de banho.
Numa dessas ocasiões, em Florença, junto ao “Duomo” (para os que não percebem italiano, “Duomo” quer dizer local a abarrotar de turistas e de vendedores de rua) enquanto eu para entreter a nossa filha, usava o walkie talkie para lhe ensinar Inglês, (pois o mesmo conseguia apanhar as explicações dos guias de diversos grupos turísticos que por aquela zona andavam) e ela insistia em usar o mesmo para gritar diversos palavrões em Francês (que aprendeu com as suas primas durante a semana que estivemos nos Alpes). Ouvimos de repente, um grito como resposta do outro lado:
- Ai minha nossa senhora! Onde é que aprendeste a dizer esses palavrões!?
- Pai, toma. É para ti. É a mãe. – diz-me ela, passando-me o aparelho.
- Daqui não fala nossa senhora. Daqui fala Deus. Faça o favor de dizer. – digo eu.
- Deixa de ser parvo e diz-me onde estão, que eu não vos estou a ver! – grita a minha mulher.
- Can You Change The Funking Channel, Please!!!!- grita uma outra voz.
- Io parlo Italiano perfecto. – respondi eu, na esperança de ficar a conhecer mais uma asneira numa língua que a nossa filha ainda não entenda.
- Muda de canal e diz-me onde estás! – grita a minha mulher.
- Só depois do gajo me responder. – respondi.
- $%##&&$#$ - respondeu o tal gajo num italiano perfeito.
Depois de mudarmos de canal, lá comecei a tentar explicar onde estávamos.
Como noutras ocasiões, também aqui, as minhas explicações foram consideradas insuficientes pela minha mulher. Pelo que lá me coloquei em cima de um banco a tentar encontrá-la. Não demorou muito tempo a vê-la, meio perdida, a olhar para todos os lados. Agarrei na garrafa de água, com a tal “capa” de cor berrante, estiquei o braço e comecei a abanar a garrafa. Depois de muitos segundos a abanar a garrafa e depois de ouvir pelo Walkie Talkie, uns valentes berros da minha mulher, que insistia em me dizer que não via nenhuma garrafa a abanar, lá nos encontrámos. Desci do banco e….uma série de seres pequeninos, todos devidamente equipados com máquinas de filmar e várias câmaras fotográficas estavam agora a rodear-me, todos sorrindo para mim e olhando-me como se eu fosse uma espécie de Deus.
- Mas vocês são malucos? – perguntei-lhes, na língua de Camões e fazendo o respectivo gesto de dar pequenas batidas com o indicador na minha cabeça.
Aparentemente isto foi entendido por todos eles, como um sinal para colocarem os auriculares dos seus walkie talkies no ouvido.
Foi então que percebi: Todos os guias turísticos tinham não só um walkie talkie para o qual debitavam toda as suas explicações, como também andavam sempre a abanar um objecto de cor berrante no ar (chapéu de chuva, bandeira, pau com mariquices na ponta, etc.) o qual servia de referência para o rebanho de seguidores, que os perseguiam de uma forma extremamente religiosa
Olho para a minha mulher e ela diz-me.
- Não comeces com esse olhar. Olha que eu não quero passar vergonhas. – isto dito pela mulher que ameaçou baixar as calças à porta de um restaurante, e aí fazer as suas necessidades, só porque o dono do mesmo não a deixava entrar na casa de banho, sem ela fazer algum tipo de consumo.
– Por favor! Nem penses nisso! – implorou ela, quando me viu a levantar o famoso termo de água.
Mas o que pode fazer um pobre homem como eu, quando tem perante si a possibilidade de comandar um grupo de fiéis seguidores!?
Bom, infelizmente não durou muito tempo (penso que exagerei no número de voltas que demos em redor de um pequeno chafariz) mas até lá deu para os pôr a olhar atentamente para um candeeiro, enquanto tentavam ajustar freneticamente os seus Walkie Talkies para me tentarem perceber (isto porque da minha boca só saiam pequenos e estranhos sons intercalados com outros bem mais audíveis, mas que penso não terem tradução em qualquer língua). E deu também para os pôr a correr, enquanto os mandava tirar fotografias, a um autocarro (que passava por uma rua paralela à que nós estávamos) e que tinha um bonito anúncio a um filme qualquer Italiano.
No final, fiquei também com aquilo que eu penso ser um bonito reportório de asneiras em Japonês, as quais não me tenho cansado de usar nestas primeiras semanas de trabalho, no contacto com alguns dos meus colegas. A saber: Jioronokô; Bakaiarô; e Kussô.
Se entretanto alguém souber o que isto quer dizer, agradecia a tradução, pois gosto de saber o que ando a chamar às pessoas.