Sexta-feira, 29 de Junho de 2007
Fogueira de vaidades.......
E aqui está! Mais uma maravilhosa entrevista, que dei nos tempos em que ainda não cobrava nada por elas.
Maravilhem-se então com a minha visão da blogosfera,
aqui, no
Kontrastes.
E pronto. Já cumpri, por esta semana e pela próxima, a minha quota de posts.
Terça-feira, 26 de Junho de 2007
Por favor......
Isto de um gajo ter agora o blog todo arranjadinho é algo de complicado. Tenho sempre aquela sensação de que se mexer nalguma coisa vou ter que ouvir alguém aos berros: "Mas passa uma mulher o dia inteiro em limpeza, a arrumar a casa, a deitar fora carradas de lixo e depois, sem consideração nenhuma, com total desprezo pelo meu trabalho, chega este.....este....este......e começa logo a sujar-me tudo. É esta a consideração que eu mereço?" brrr......
Bom, mas deixemo-nos de constatações e passemos a factos, até porque não era sobre isso que eu queria escrever, era sobre algo bem mais importante, dirigido em particular ao pessoal do Sapo: Queria agradecer o facto de terem colocado o meu blog em destaque e do mesmo ter aparecido na página principal do Sapo. Eu sei que já por outras vezes o meu blog foi destacado e que eu nunca tive a decência de fazer qualquer tipo de agradecimento, ou até de menção ao mesmo, mas neste caso algo de extraordinário aconteceu: ESTOU A GANHAR DINHEIRO!!! PORRA! O QUE COSTUMO FAZER EM 4 MESES, ESTOU PRESTES A FAZER EM TRÊS DIAS!!! VIVA O GOOGLE ADSENSE!!!! SÓ PRECISO DE MAIS UM DIA E CHEGO AOS 100 DÓLARES!!!!
Deixem o meu blog em destaque na página principal do Sapo, só por mais um dia, por favor. Só mais um dia (entendam isto como uma súplica a roçar o desespero.....se ajudar, esqueçam o roçar e liguem só ao desespero....podíamos ainda combinar algo que passaria por um destaque permanente, por troca de alguns, euros - poucos, claro- que tal?)
Segunda-feira, 25 de Junho de 2007
Mudanças....
Penso que, mesmo os mais distraídos, já se aperceberam de algumas mudanças subtis que ocorreram por aqui. Pois é….Esse dia tinha que chegar, ou seja, o dia em que já não chegava, à minha mulher, mandar só lá em casa:
- Quando é que mudas o aspecto do blog? - pergunta-me ela, de forma algo meiga.
- Quando me apetecer, que lá mando eu. - respondo, com a minha actual boa disposição.
- Mas não estás já farto daquele aspecto horrível? - continua ela.
- Tenho mais que fazer. - digo, enquanto tento encontrar um canal que a possa calar.
- Mas podias pôr umas cores mais bonitas. - continua ela, apesar de ter conseguido colocar no SIC Mulher, exactamente na altura de um tal programa que se chama “Essência”.
- Não tens meias para coser? - respondo, após notar que tinha a unha do dedo grande do pé, a querer sair por um pequeno buraco da minha meia.
E pronto. Fizemos um acordo: eu tratava daqui das mudanças (tendo também aproveitado para meditar sobre a possibilidade de, por vezes, o timing de certos comentários que lhe faço, poder não ser o mais correcto), e ela definia o prazo a partir do qual, eu podia regressar ao leito matrimonial.
E aqui está o resultado das mudanças. Pode não ser o perfeito (a minha sogra tem um pequeno buço semelhante ao da famosa personagem interpretada por Charlie Chaplin, mas infelizmente, as minhas hérnias discais já não suportavam mais o sofá, pelo que tive que ceder a certas exigências da minha mulher) mas é sem dúvida um quadro representativo da minha vida de marido e pai esforçado e trabalhador, e da forma como eu encaro a mesma: Sempre disponível para fazer tudo o que for necessário, para que elas sejam felizes, e sempre com um sorriso nos lábios.
Para terminar, resta-me agradecer à Isa, todo o seu esforço, dedicação e trabalho que teve para mudar a decoração deste blog. Ficou combinado que a paga seria passar a escrever com maior regularidade, pelo que...... talvez para a semana....ou daqui a um mês....ou depois das férias de Agosto.....prometo passar a postar todas as semanas, e nalguns casos até, mais do que uma vez por semana….acho.
Quarta-feira, 20 de Junho de 2007
O Pernudo......
No meu tempo de puto, os coelhos tinham apenas um papel: o de servirem de alimento. Cheguei a ser responsável pela criação familiar de coelhos, ficando fascinado pelo seu ciclo de vida: Começava por um estranho sapateado entre o macho e a fêmea, seguia-se a construção da “cama”, com o próprio pêlo da progenitora, depois o nascimento de uns desprotegidos e estranhos bichos cor de rosa e mais tarde, o seu abrir dos olhos e as primeiras saídas do ninho. Era nesta fase em que começavam, de uma forma trôpega, a descobrir o mundo (com aquele seu aspecto querido e fofinho), que eu lhes atribuía os seus respectivos nomes: o Cozido; o Grelhado; o Arroz; o Ensopado; o Delicioso; etc.. Depois vinha o inevitável crescimento, e quando chegavam perto dos dois quilos, o seu destino estava traçado. Garanto-vos que inúmeras vezes escondi, à mesa, a imensa mágoa que me provocava ver ali, no meu prato, inertes, aqueles a quem eu dei muito de mim. Sentia que algo estava errado. Que os seus destinos não estavam a ser cumpridos. Cheguei, algumas vezes, a suplicar à minha mãe que lhes desse o destino devido, ou seja, a não cozer o Grelhado, ou a não grelhar o Arroz. Afinal fui eu quem lhes atribuiu os nomes!! Fui eu que lhes atribui o destino!!! Eu para eles, era Deus!! Deus!!! Porra!
Isto chateava-me um pouco, mas a minha mãe, com a sua santa compreensão, mostrava-me que ser o Deus dos coelhos era algo que eu não podia levar demasiado a sério, pois caso contrário, poderia, no futuro, ficar com determinados traumas (os quais seriam causados pela utilização de algo mais doloroso, do que a sua mão, para me dar as nalgadas). Assim, e também porque a minha mãe era uma excelente cozinheira, acabava sempre por sentir que afinal, o Grelhado também era igualmente bom cozido e vice‑versa.
Houve no entanto, um coelho que me marcou para sempre. Nasceu, tal como todos os outros, cor de rosa e totalmente desprotegido. Mas depressa abriu os olhos para o mundo e adquiriu uma bonita pelagem malhada. Era lindo. Rapidamente passou a ser o meu preferido, aquele a quem eu dava pequenas guloseimas, como pequenos pedaços de cenoura, ou de batata crua. Crescia a um ritmo acelerado. Mas um dia veio a fatalidade…Um dia, vejo-o afastado dos outros, num estado de semi inconsciência, com a barriga totalmente inchada. Entrei em pânico….o meu querido coelho…ainda não estava pronto para morrer, faltava-lhe ainda um quilo…o meu pobre Delicioso!!....o que fazer??? Felizmente, na altura existiam séries educativas na TV, nomeadamente a série Britânica “Veterinário de Província”, nela tinha visto um rebanho de ovelhas a serem salvas do excesso de metano (que lhes tinha feito inchar os estômagos) através do espetar profundo de agulhas, as quais, através dos buracos que faziam, ajudaram a libertar o metano dos seus estômagos. Porque respeito a sensibilidade das pessoas que me lêem, não vou aqui descrever as minhas inúteis tentativas para salvar o Delicioso. Posso apenas dizer que o pobre animal morreu em paz, mas com um aspecto de boneco Vodu.
Bom, voltando ao presente. A minha sogra resolveu dar, sem que a minha opinião fosse consultada, um coelho de estimação à nossa filha. Um Coelho de Estimação!!!!
- Mas que merda é esta? – pergunto eu.
- Não fui eu. – diz a nossa filha após escrever merda (correctamente) no quadro do não gostei.
- Olha lá. O cabrão do coelho não sabe cagar no sítio e eu é que tenho que limpar? – digo à minha mulher.
- Sim. – responde a gaja que achou que fazia bem, à nossa filha, ter mais um animal de estimação, como forma de ter mais responsabilidades, tais como…… sei lá, lembrar o pai para limpar a merda que o Coelho faz; lembrar o pai para tapar os buracos que o coelho faz no nosso jardim; lembrar o pai que não deve bater no coelho por ele andar a comer as alfaces, que tanto trabalho me deram a plantar e a cuidar; lembrar ao pai que vê-lo a pesar o coelho a faz chorar, por se lembrar do que o pai disse sobre o papel que os coelhos têm na vida dos humanos; etc..
- Pai, queres que eu te ajude? – pergunta a nossa filha, após regressar do quadro do não gostei.
- Não filha, deixa. – disse eu, enquanto fui buscar o esfregão. Pelo caminho aproveitei e emendei os erros do quadro do não gostei, deixando as respectivas notas: “É CAGAR não é CAVAR. É CABRÃO não é CABÃO. MERDA está muito bem escrito.”
E agora existe em mim um grande dilema moral: será que para a minha filha, o coelho deverá morrer por “acidente” ou “causas naturais”, ou devo ser o pai honesto, que tenho tentado ser, e assumir, perante ela, que o lindo nome que dei ao coelho (“Pernudo”) tem um segundo significado e com ele, um destino bem definido?
Sexta-feira, 8 de Junho de 2007
Os urbanos....
Desde que me conheço que sou um bocado parolo. Um gajo do campo, ou seja, sou um verdadeiro Hillbilly (isto é para que os urbanos modernos e globalizados, que usam bastantes termos em Inglês, percebam). A minha mulher, por outro lado, cresceu no meio de autênticos gangs urbanos franceses. Com eles aprendeu algumas técnicas, as quais recentemente, nos permitiram abrir o nosso carro (que tinha ficado trancado, com as chaves lá dentro). Lembro-me que, na altura em que por toda a França se andavam a incendiar carros, me pareceu ver nos suspiros que ela dava, alguma nostalgia por esses seus velhos tempos de marginal (assim como a sensação de ela estar a reconhecer alguns dos seus antigos companheiros).
Quando começámos a viver juntos, estas nossas perspectivas de vida tiveram que sofrer óbvias adaptações: eu ensinei-a a apreciar a calma, o sossego e os mexericos campestres. Explico-lhe que não é por incendiar o carro a alguém, que essa mesma pessoa vai deixar de andar pela vila a dizer, a quem a quiser ouvir, que todas as manhãs encontra a minha mulher a correr, feita parva. Ela, por outro lado, mostrou-me que as minhas dores de cabeça, que surgem quando vejo muita gente, afinal também se podem dever à variedade de cores que ela me obriga a ver, sempre que vamos aos saldos a Lisboa.
Bom, mas isto tudo para dizer o quê?
Recentemente tive que ir a Lisboa por motivos estritamente profissionais (sim, porque por muito estranho que isto possa parecer, eu tenho uma segunda vida que ocorre para além do blog, a qual incrivelmente, é bem mais importante e prioritária que esta). Como é normal sempre que lá vou, e por mais que estude de véspera o itinerário, acabo sempre por me perder, o que implica ter que conviver com a estranha linguagem que os Lisboetas usam para dar indicações: "Vá até à Rotunda do Relógio e....." ou "Está a ver onde é o Marquês? Segue por aí e...." e ainda "Isso é fácil. Vai até Benfica e depois...." Como não quero conhecer os estranhos códigos que estão por trás desta linguagem, comecei por usar um sistema infalível: Decorei o caminho até à Cidade Universitária, deixo o carro por lá e depois ando de Metro. Continuo a perder-me na mesma, mas pelo menos agora já não entro em ruas específicas para Bus, com o meu carro.
Mas agora que ando mais a pé por Lisboa, tenho tempo para olhar de frente para os urbanos e sentir alguma empatia por eles. Passam uns pelos outros com uma completa e total indiferença, os olhos nunca se cruzam, vivem juntos, mas ao mesmo tempo sozinhos, isolados, cada qual preocupa-se apenas com a sua vida e nada mais. Sozinhos no meio da multidão...Pensar nisto faz-me ficar à beira das lágrimas...Como é que eles conseguem fazer isso? Anda um gajo a tentar viver assim há anos, e de resultados práticos, nada. Só frustrações..... Aliás, ainda hoje fiquei a saber que a nossa família foi TODA convidada (ou seja, também eu estou incluído) para participar na festa do S. qualquer coisa que a nossa vizinhança vai organizar, exactamente no largo em frente à nossa casa. Porra, é nestas ocasiões que tenho inveja dos urbanos.
Mas a solidão dos urbanos também me preocupa, que eu no fundo sou um gajo sentimental. Bastou, nesta minha viagem a Lisboa, sair do metro e perguntar à primeira pessoa que vi, por indicações, para sentir na pele toda a despersonalização que uma grande cidade provoca nas pessoas que nela habitam. Pois, para além de algumas indicações percebíveis, fiquei ainda a conhecer toda a história clínica da pessoa, a qual fez questão de me ir acompanhando ao longo de grande parte do trajecto, mesmo quando eu acendi um cigarro após ele me ter dito que não suporta o fumo do tabaco. Quando perguntei a outra pessoa por novas indicações, fiquei a saber qual o estado de comodismo da mesma, e como esse mesmo estado o aflige, tendo admitido não conseguir lutar contra ele. Obviamente que depois disso nunca mais perguntei nada a ninguém, pois posso ser campestre, mas não sou padre para andar a ouvir confissões.
No meio de tudo isto, há algo que efectivamente me marca, a mim, que sou sem dúvida uma pessoa emotiva. No metro aflige-me ver a indiferença com que todos olham para quem anda a pedir porque é cego, ou aleijado. É algo que me toca fundo. Fico com vontade de gritar e de chamar a atenção de todos, que ali existe uma pessoa, um ser humano, que está a pedir ajuda. Tenho vontade de sacar da minha carteira e dar-lhes todo o dinheiro que lá existe. Desta vez, assim que pensei nisso, resolvi que esta seria, sem dúvida, uma grande lição para aquela cambada de insensíveis, a quem eu estava a dar o privilégio de partilharem o metro comigo. Tiro a minha mochila e saco a carteira. E é então que reparo... Alguma pobre alma já se tinha encarregado de tirar todo o meu dinheiro, tendo tido a gentileza de levar também o meu cartão de crédito, para que a sua pobre família não passe fome.