Domingo, 27 de Maio de 2007
A sessão de autógrafos.......
Depois de uma semana cheia de merdas que não vos interessam para nada, mas que seriam suficientes para tirar a tesão a qualquer homem normal (estereótipo dentro do qual eu, obviamente, não enquadro) eis que chega a tão desejada Sexta-feira. Desejada pela minha mulher, a qual me chantageou dizendo que só ia comigo à sessão de autógrafos se depois ficássemos em Lisboa numa orgia de compras. Como sou um gajo que mal ouve a palavra orgia, começa a abanar compulsivamente a cabeça, lá a coisa ficou combinada. E eis que a aventura começa.
Às 17.30h deixo uma reunião a meio, combino com uns amigos de Lisboa a hora prevista da chegada e o respectivo local para a janta, e dirijo-me para o carro. Meto a chave e nada. Tiro a chave, volto a enfiar e nada. Tiro, enfio, nada. Depois de fazer uma comparação estúpida com a minha vida sexual (o que só prova que a semana não tem sido fácil) chego à brilhante conclusão que a bateria morreu. Telefono para a minha mulher dizendo-lhe que há uma alteração nos planos, e que em vez de ser eu a ir buscá-la, tem que ser ela a me vir buscar a mim. Só isto era já suficiente para nos atrasar, mas ainda me lembrei, enquanto estava à sua espera, que também o facto de não estar ao lado dela a dizer-lhe de dois em dois segundos para se despachar, nos iria fazer chegar a Lisboa muito em cima do acontecimento. Quando achei que já tinha passado tempo suficiente para irmos a Lisboa e voltarmos, telefono-lhe:
- Onde estás? - pergunto-lhe.
- Fui mandada parar pela policia.
- Mataste mais um gato?
- Não me chateeis !!! - grita ela.
- Ok. Mas onde é que estás?
- No parque da cidade.
- Mas o que é que aconteceu?
- Nada. Deixa-me! - e desligou.
Bom, embora estivesse a chover, sem chapéu de chuva e carregado com o meu inseparável portátil, fiz a correr os cerca de 1000 metros que nos separavam. Quando lá chego reparo numa gaja boazona a falar com dois GNR. Pergunto o que se passa (depois de recuperar o fôlego e de pensar que talvez o tabaco tenha efeitos secundários, embora esteja a funcionar como método para emagrecer) e a gaja diz que está tudo resolvido, para eu entrar no carro e bazarmos rapidamente dali. Como a uma gaja boa, não sou capaz de dizer que não, obedeci imediatamente.
Foi então que a gaja boa, toda irritada, me disse que a GNR lhe passou uma multa por estar a conduzir e a falar ao telemóvel. Pumba!!! Apercebi-me que afinal a gaja boa era a minha mulher!!!
- 120 euros??!!!! Mas tu não conheces as regras??!!!! Não insististe em comprar a merda de um bluetooth para evitar isso??!!! Não sabes como andam as nossas finanças??!!! - gritei eu, internamente, pois pela sua cara, ela já sabia isso tudo.
Passou a viagem toda a amaldiçoar o GNR que lhe passou a multa, desejando-lhe a eterna perca de tesão. Conhecendo o poder que ela tem para me tirar a tesão, estremeci pelo pobre homem.
Finalmente, no meio de chuva e bastante atrasados, lá chegámos ao Parque Eduardo VII. Chega então a altura de procurar o Restaurante Italiano que se encontrava algures nas redondezas. Perguntámos a vários Lisboetas onde era esse Restaurante. Todos eles nos deram indicações completamente opostas umas das outras, pelo que nos apercebemos que os Lisboetas, do nome de Restaurantes Italianos, só ouvem a parte final, a do .....ii.
Como já passava da hora programada para os autógrafos, e não me estava a sentir bem por deixar multidões de empenhados fãs, à chuva, à minha espera, telefonei para os nossos amigos, que já estavam há horas à nossa espera no restaurante, explicando-lhes tudo isto.
Após comer uma mísera fartura, dirigi-me para o stand da editora e.... UAU !! depois de perder 120 euros, de passar a viagem toda a ouvir a minha mulher a falar em falta de tesão, de falhar um compromisso com amigos, e de comer uma mísera fartura.........uma multidão de ninguém!!!
Percebi então que a falta de tesão é um problema altamente generalizado no nosso país e estranhamente, passei a preocupar-me menos com isso.
Terça-feira, 22 de Maio de 2007
Publicidade....
Quereis contribuir para a felicidade de uma família do Portugal profundo? Quereis ajudar um pobre pai a ter rendimento suficiente para que possa contratar a tempo inteiro uma boa cozinheira? (depois prometo que ponho aqui fotos dela, com fardas comestíveis). Quereis ajudar um gato a ter comida de lata, da qualidade que ele merece? Quereis contribuir para a felicidade sexual do casado, permitido-lhe comprar uma cama maior onde possa dormir sossegado sem ser importunado depois do sexo? Quereis, no fundo, contribuir para um sorriso na cara de uma criança de 6 anos, quando a mesma descobrir uma prenda só imaginável nos sonhos mais bonitos do casado? (uma linda, bela, confortável, maravilhosa, nova e simplesmente espectacular mota BMW).
Quereis então contribuir para tudo isto, sem qualquer garantia de satisfação? (pela vossa parte, claro). Então ide, cada um de vós, comprar no mínimo 50 livros do Casado. Fazei manifestações junto das livrarias, comprai na internet, dai largas ao vosso consumismo desenfreado. Fazei feliz uma criança e os seus maravilhosos pais.
E isto tudo apenas para dizer que irei estar dia 25 de Maio às 21 horas, na feira do livro de Lisboa, algures no stand 143, a vender autógrafos.
A programação habitual deste blog seguirá assim que me apetecer.
Terça-feira, 15 de Maio de 2007
Inseguranças.....
- Pai, o que é que acontece aos meninos que desaparecem.
-Ui....e agora? - pensei eu – o que é que lhe vais dizer? Será que adianta mudar de assunto? Mas será que deverás mudar de assunto e deixá-la na mesma preocupada? Estás lixado. Bom, pelo menos enquanto estás a pensar, olha para ela e mostra-lhe que ouviste a sua pergunta. Vamos! Vira-te! Porra, pá! Vira-te!
- Pai? Não me ouviste? - insiste ela.
- Estás a ver?- continuo eu, nos meus pensamentos- Assim não vais lá. Responde à moça. Ela não pode saber dessas tuas inseguranças. Fala com ela e tenta descansá-la. Vira-te COBARDE!
- Bom filha. Queres ir jogar aos Playmobil?
- Não. Quero que respondas à minha pergunta. Porque é que os meninos desaparecem?
- Boa, grande Estúpido. - penso eu – Já reparaste que estás a controlar totalmente a situação, não é? Tens mesmo jeito para isto. - ironiza a minha mente, o que me deixou um pouco chateado.
- Sabes filha, isso são coisas que infelizmente acontecem. Há meninos que desaparecem, porque às vezes chateiam-se com os pais. E há outros que são roubados aos pais.
- Porquê?
- Porque existem pessoas que têm problemas na cabeça e fazem maldades.
- E essas pessoas existem aqui?
- Filha, para alguma coisa existimos nós. Estamos aqui para te defender desse tipo de pessoas. Não tens que te preocupar. Nós nunca deixaremos que esse tipo de pessoas se chegue tão pouco ao pé de ti. Percebido? Por isso não tens nada que te preocupar, está bem?
- Mas os outros meninos também têm pais....e foram roubados na mesma.
- E agora?- penso eu- Afinal a conversa ainda não acabou. A moça continua preocupada. Anda. Diz qualquer coisa para a descansar de vez.
- Amor, anda cá ajudar-me! - grito eu, para a minha mulher.
Domingo, 13 de Maio de 2007
Brincadeiras com os Playmobil.....
Pai que é pai tem que ter tempo para brincadeiras com os seus rebentos, uma das preferidas da minha filha é bulhar comigo. Aliás, esta é também uma das brincadeiras preferidas da minha mulher (no caso dela é mais implicar, mas vai dar ao mesmo). Tanto num caso como noutro finjo que sou muito fraquinho e deixo-as ganhar, até porque se isso não acontecer fazem birra: “Tu não és o dono da verdade.” diz a minha mulher, nessas ocasiões.
Outra das brincadeiras que a minha filha gosta e que descobriu recentemente, foram os playmobil. Este fim de semana, tivemos uma maratona de playmobil, enquanto a mãe trabalhava na sua tese. Aqui mais uma vez, e embora a tenra idade da moça, saltam à vista as diferenças entre homens e mulheres. A moça escolheu a boneca mais maricas, construiu uma casa, colocou a mobília nos sítios certos, definiu o que eu, como boneco macho, podia ou não fazer, colocou-me fora de casa por não querer cumprir determinadas regras e, no fundo, fez do meu boneco o que queria. Senti-me tão embrenhado no meu papel e com uma empatia tão grande para com o pobre boneco que dei por mim a despejar impropérios menos dignos para o mundo dos bonecos. Tal como acontece na realidade, o meu boneco ficou de castigo e não pode assistir ao desfile das Barbies, tendo sido obrigado a ficar em casa, sem poder ver televisão. Por considerar que o boneco não tinha que ser ignorado desta forma, manifestei a minha profunda indignação, e disse que ia formar a minha própria tribo de playmobil. Agarrei então numa série de bonecos e objectos desprezados e fui construir a minha cidade para um dos cantos opostos do quarto, e foi então que a guerra estalou:
- Pai, não podes falar mais baixo? Os meus bonecos estão a dormir.
- Desculpa, mas já é de manhã. Os meus bonecos estão-se a preparar para ir trabalhar.
- Pois, mas os meus ainda precisam de descansar, pois estiveram toda a noite a limpar a porcaria que os teus bonecos deixaram, quando se foram embora. - diz ela, provocando-me.
- Os meus bonecos podem ser mais porcos, mas também são mais divertidos do que os teus.
- Não são nada.
- São sim. Olha para eles todos contentes.
- Os meus também estão contentes, pois agora estão sossegados e não têm que aturar os teus.- continua a provocadora.
- Sim, está bem. Deixa-me em paz. Os meus bonecos têm que ir para o trabalho.
- E o que é que eles fazem?
- Caçam os teus bonecos.
- MÃÃÃÃÃÃÃÃEEEEEEEEE!!!!!!
E por mais que eu tentasse explicar as provocações a que fui sujeito, e que, na falta de um irmão para a arreliar tenho que ser eu, como educador, a desempenhar esse papel, continuei a levar uma seca sobre idades e qual é, no entender muito limitado da minha mulher, o único papel que devo desempenhar.
Sexta-feira, 11 de Maio de 2007
Politicamente Correcto....
Basta um gajo deixar de ver o mail e o blog durante uns dias (era preciso recuperar do cansaço que me provocou ter escrito três posts numa semana) para voltar a ser surpreendido com uma série de comentários e mails sobre “thinking blogs” e questionários para passar a outros.
Como é que eu digo isto isto sem ofender ninguém, principalmente a mim? Vejamos....do ponto de vista do politicamente correcto, sou um Deficiente Social.
Não estou a dizer com isto que não gosto que me elogiem: que me digam que sou um gajo jeitoso; que a barba de três dias me fica bem; que estou a ficar mais magro; que no fundo, sou um excita-moças.
Claro que gosto deste tipo de elogios (principalmente pelo prazer que seria ouvi-los pela primeira vez, de outras pessoas, que não daquela que todas as manhãs aparece reflectida quando me olho ao espelho). É claro que também gosto de ser “nomeado” para blog do ano, ou como blog que faz pensar outros, ou etc.. Faz-me sentir um pequeno Bento 16 disto dos blogs, ou seja, um pequeno supra sumo de uma espécie de religião, o qual opina sobre tudo e mais alguma coisa, quer conheça ou não o assunto do qual está a falar (por exemplo, sexo).
Mas depois, por outro lado, tenho a tal faceta de deficiente social, a qual me impede que fale mais sobre isto!
Sexta-feira, 4 de Maio de 2007
Conversas inocentes.....
- Tens que telefonar ao meu marido para ele me mandar o meu B.I. que esqueci-me dele. - diz-me a minha sogra.
- E para que é que você precisa do B.I.? A sua filha pode perfeitamente servir-lhe de "chófer" e para além disso, eu nunca lhe emprestaria o carro.
- Não comeces com as tuas parvoíces. Preciso do B.I. para provar que já tenho direito a comprar o bilhete de comboio com desconto para a terceira idade.
E pronto. Foi o que bastou para que as minhas gargalhadas provocassem mais uma tempestade num copo de água. Realmente as mulheres são muito susceptíveis no que diz respeito à idade.
Quinta-feira, 3 de Maio de 2007
Dia de anos.......
O dia de anos da minha mulher é capaz de ser o dia mais stressante do ano (esse e aqueles em que ela grita "O que é que disseste à minha mãe?", e também aqueles em que ela diz "Hoje fiz um comer especial com os restos do fim de semana." e também aqueles em que deprimida com situações extra-familiares me diz "Vá, deixa-me estar. Isto passa.") Mas voltando ao dia dos anos.
O meu objectivo é torná-lo sempre algo de inesquecível, por isso logo de manhã, ao acordar, que melhor forma de mostrar todo o meu apreço por ela do que lhe dizer:
- Hoje, porque fazes anos e quero ver-te feliz, sou o teu escravo sexual, faz de mim o que quiseres....por favor.
- Espera que vou buscar uma cenoura e vou ficar a ver como tu te divertes com ela. - responde, mostrando-me, sem margem para dúvidas que, esta minha generosa e abnegada oferta, afinal não lhe interessava. O que me deixou bastante triste, pois tinha a certeza que assim não teria que lhe comprar qualquer prenda (penso que a sua rejeição tem a ver com a idade: já começa a existir alguma falha hormonal nela). Tentei então outra abordagem:
- Já reparaste que tens mais uma ruga no canto do olho.....não espera.....enganei-me: nos cantos dos olhos.
Mas o seu sentido de humor não melhorou. Tentei ainda o politicamente correcto:
- E a tua mãe sempre se vai embora amanhã, ou é hoje....ou tenho que me despir outra vez à frente dela?
E pronto, o inesquecível aconteceu: a partir de hoje fiquei proibido de recordar o dia em que ela faz anos.
Terça-feira, 1 de Maio de 2007
Brrrrr......blarg........brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr........
- ......... - diz ela.
- O quê? - pergunto eu.
- Tira a merda dos auriculares dos ouvidos, ou pelo menos pára a música quando estou a falar contigo. - grita-me ela aos ouvidos. - Onde é que está a filha? - continua ela.
- Foi brincar para casa dos vizinhos. - respondo eu, desligando a música.
- Isso quer dizer que estamos sozinhos?
- Sim. - digo eu, começando a salivar.
- Bom, então vou até lá acima ao nosso quarto e já venho, fica aqui pois.......- diz ela, ao mesmo tempo que volto a ligar o meu leitor de MP3, e a vejo sair da cozinha (sempre a mexer os lábios).
Coloco a música correcta no meu MP3, baixo os estores, para criar a atmosfera devida e, enquanto estou de costas, dou pela porta da cozinha a abrir. Começo então a minha sessão de strip, sempre de costas, para a provocar. Aproveito a porta de vidro, que separa a cozinha da nossa pequena lavandaria, para nela roçar o meu belo par de glúteos (dá sempre um efeito giro). Sempre de costas, vou depois aproximando-me dela, começo a ouvir uns gritos, e por aí vejo que a coisa está a correr bem. Dispo-me todo e volto-me para que ela me veja em todo o meu esplendor.
Fiquei a saber que a frase da minha mulher provavelmente terminava da seguinte forma: "....fica aqui pois já fui buscar a minha mãe (que chegou mais cedo do que o previsto) e ela vem carregada com coisas para arrumar na cozinha, Por isso ajuda-a."
Bom...... pelo menos e durante a estadia de uma semana que a minha sogra por cá vai passar (a minha mulher conseguiu convencê-la a não se ir logo embora) muito dificilmente iremos olhar um para o outro .....brrrrr.....blarg.........brrrrrrrrrrrrrrrrrrrr