Domingo, 18 de Março de 2007
O amor visto pelas crianças.....
- Sabes pai, na minha turma tenho um menino que gosta de mim.
- A sério? Como é que tu sabes?
- Porque ele anda sempre atrás de mim a querer beijinhos.
- E tu o que fazes?
- Fujo dele.- diz - Mas às vezes ele apanha-me. - termina ela com um pequeno sorriso.
- Elá!! E o que é que tu fazes?
- Dou-lhe pontapés onde tu me ensinaste.
- Boa. E ele?
- Ele bate-me também.
- E como é que isso acaba?
- Ás vezes eu fujo, outras vezes foge ele. - responde ela, dando no final um suspiro meio esquisito.
- E tu.....gostas dele? - pergunto eu, a medo.
- Não sei.....Às vezes... quando ele está deitado no chão a queixar-se da perna...... Começo a bater-lhe mais devagar.- diz, ela cabisbaixa.
- Mas isso é porque tens pena dele. - afirmo eu.
- (suspiro)... Pois, se calhar. Tu quando conheceste a mãe também bulhavas muito com ela?
- Ahhh.....hmmmm.....Claro que não. As bulhas só vieram quando começamos a namorar. - digo, a rir.
- Isso quer dizer que eu já namoro?
- Bom......não......Mas......Pois.....E se.......hmmmm....Porra! - gaguejo eu- Vamos lá resolver isto de vez: Tu ainda és muito nova para bulhar com meninos, por isso, sempre que esse menino quiser bulhar contigo, ou dar-te beijinhos, diz-lhe que o teu pai vai escrever o nome dele no blog.**
- Tu és um bocado maluco, mas eu gosto de ti. - termina ela, dando-me um beijo e indo-se embora aos pulos......deixando-me sozinho....mas com a sensação que houve algo de mim que ela levou com esta conversa, e não foi apenas o dinheiro, para comprar uma pastilha, que eu lhe dei para ver se a conversa acabava mais cedo.
** A censura manda dizer que esta frase está aqui contra a sua vontade, pois aparentemente este blog já é lido por muita gente cá da vila e parece que já causei alguns embaraços por cá, com um post qualquer e posso voltar a ser, mais uma vez, mal interpretado, e sei lá mais o quê. Mas a alma de um artista não se pode rebaixar perante a censura, por isso, a última palavra é sempre a minha (pelo menos aqui no blog) pelo que não me verguei.....(por enquanto, mas hei-de vergar, que eu conheço-me demasiado bem)
Quinta-feira, 8 de Março de 2007
E porque hoje é o dia da mulher.....
- Já viste em quanto tempo eu fiz o jantar? Tu alguma vez conseguias ser assim tão rápido? – diz a minha mulher, toda orgulhosa.
- Sim...Está bem engonha. – respondo eu.
- Engonha? Tu não sabes que as mulheres têm a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo e de assim serem mais rápidas que os homens?
- Sim, pois....
- Estás a tentar provocar-me? Está bem, meu espertalhão – começa ela, toda empertigada - Se tu conseguires dizer uma única coisa.....E toma bem atenção ao que eu te vou dizer! Se tu conseguires dizer uma única coisa, onde eu admita, sem qualquer tipo de dúvida, que és mais rápido do que eu. - e aqui fez daquelas pausas dramáticas, onde fica com o indicador em riste - Serei tua escrava durante o resto da semana.- conclui ela, toda entusiasmada.
- Sexo. – respondi eu, entre duas garfadas.
- (pausa).....ok....ganhaste.
Terça-feira, 6 de Março de 2007
Coisas.....
Pois a
coisa correu bem. Na Fnac, o
Pedro Ribeiro mostrou, e muito bem, porque razão devem os homens comprar o meu livro, tendo também o cuidado de salientar que as mulheres também têm muito a aprender se o adquirirem. Eu concordo com ele!
Entretanto passei a ter 39 anos e eis mais um dos prazeres de ter uma filha:
- Pai, quantos anos fazes?
- 39.
- xiiii....tantos? Poça, demoro muito tempo a contá-los. Queres ver?
- Não! Muito obrigado.
- 1..2..3..4..5...6..7...8....
- Filha. Chega!
- 15...16....17...18....19....20.....21...22...23....24...
- Olha lá, não tens que ir ver televisão?
- 31...32...33....34....está quase....35....36....37....38...39! Poça. É muito, não é?
- ......
- Deixa pai. Para mim é como se fizesses apenas.......apenas.. humm .....35. Pode ser?
E para terminar:
Sábado, dia 10 de Março, em Cuba, Baixo Alentejo, na
Biblioteca, às 21 horas....adivinhem porque já não me apetece escrever mais.
Sexta-feira, 2 de Março de 2007
É nas crises que a força de um casal se revela....
- E então, estás muito preocupado? - pergunta-me ela, enquanto me dá a mão.
- Não. - respondo-lhe eu, dando-lhe um beijo – Juntos vamos conseguir. - digo, tremendo por dentro.
- Achas? - pergunta-me ela hesitante.
- Claro. Não duvides de um homem que passou a comer brócolos, sem se queixar. - digo, para a distrair.
- Tens razão. - diz ela, acariciando com os seus dedos, a minha mão. - Sabes, é nestas situações que se vê a força de um casal.
Não lhe respondi, limitei-me a dar-lhe um beijo.
- Pai, porque é que vamos entrar no Centro de Saúde? - pergunta a nossa filha.
- Agora! - grito eu – Tu ficas com os braços e eu com as pernas!
E foi assim que a nossa filha ficou, finalmente, com todas as vacinas em dia.