Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007
Ena!
O próximo fim de semana, vai ser alucinante para a nossa família (e isto, sem implicar que a minha sogra nos venha visitar).
Logo na Sexta-feira, estarei em directo, na
Antena 3, no programa
Prova Oral (queria ver se ia só eu, mas a minha mulher diz que também quer ir, para evitar que eu diga muitas baboseiras. Agradecia que a produtora do programa lhe telefonasse e esclarecesse que o convite é só para a minha pessoa. Obrigado).
E depois, no Sábado, na Fnac do Colombo, às 17.00 horas, e com apresentação do
Sr. Pedro Ribeiro, temos o lançamento do livro. Aqui estará presente toda a família (excepto o gato) e será dada uma atenção especial a quem trouxer uma mousse de chocolate (sem ser light). Eis pois a vossa grande oportunidade, de verem, ao vivo, como eu fico vermelho neste tipo de coisas. Trata-se de algo a não perder.
Caso queiram conselhos matrimoniais, ou ver respondidas as imensas dúvidas que os assaltam, comecem a fazer um lista com as perguntas, pois as melhores serão respondidas, na Fnac, pela minha filha (por ser esta a mais imparcial, e por eu lhe ter prometido que a deixava falar).
Domingo, 25 de Fevereiro de 2007
Como passar o tempo, numa viagem de carro.....
- Pai, vamos jogar ao jogo do “Adivinha o que eu estou a pensar.”
- Está bem. Quem é que começa?
- Eu porque sou a mais nova. Já pensei numa coisa. Adivinha o que é.
- Um cão.
- Não. Tens que perguntar coisas.
- Está bem. Tem barbatanas?
- Não.
- Então é um cão.
- (suspiro) Não é. Já te tinha dito que não é um cão.
- Já sei. – digo entusiasmado- São dois cães.
- Não.
- Três?
- Não.
- Dez?
- Não são cães.
- Um gato?
- Não.
- Já sei. Um gato e uma gata.
- Não. É uma coisa que tens na mão.
- Frieiras?
- Não. Na ponta dos dedos.
- Pele.
- Não. Começa por um u.
- Não estou a comer uvas. - digo, num tom paternalista.
- Unh... - diz ela, quase soletrando as palavras - Vá pai. Diz o resto.
- Poça. Só me arranjas coisas difíceis. - respondo, desiludido.
- É a unha pai. - diz ela - Vá agora és tu. Pensa numa coisa.
- Já pensei.
- É um cão?
- É.
- Vocês importam-se de parar com essa brincadeira parva! - diz a minha mulher, com o seu habitual mau feitio, após vinte minutos do espectacular jogo: “Se não tem barbatanas, ou é um cão, ou dois, ou três, ou quatro, ou no máximo vinte, embora também possa ser um gato e uma gata, ou, na pior das hipóteses, uma gata com cinco gatinhos.”
Sábado, 24 de Fevereiro de 2007
Fim de semana em casa da sogra......
Quando se casa é para sempre, diz a minha sogra após mais uma das suas eternas discussões com o marido. Ora, esta sua frase deixou-me bastante pensativo. Em primeiro lugar porque, pela primeira vez, houve uma frase dita pela minha sogra que eu não esqueci assim que ela acabou de a pronunciar. Mas também pelo próprio conteúdo da mesma. Será que a velha tem razão? Esta questão levantou outras: Como é que o meu sogro aguenta? Será por isso que o volume da TV está sempre no máximo? Ou ela adora mesmo a Floribela ?
Mas realmente todas estas questões me fizeram matutar, mais uma vez, sobre aquilo que eu conheço melhor: a minha relação com a minha mulher.
Será que algum dia chegaremos ao mesmo nível de discussão que os meus sogros? Ou será que ela vai ganhar juízo e tratar-me como a minha mãe trata o meu pai? Será que algum dia me vou cansar dela, e só a vou querer para o sexo? Ou será que um dia o meu mais intimo desejo se vai concretizar, e ela só me vai querer para o sexo? E principalmente: Porque raio a frase que a minha sogra disse, não foi imediatamente esquecida? E já agora: será que o almoço de amanhã vai ser o mesmo, que o jantar de hoje?
Tudo questões importantes, que me apoquentaram o resto da noite, obrigando-me a meditar seriamente nelas (era isso, ou então passar a noite a ver novelas). No fim, cheguei a uma brilhante e espantosa conclusão: um pensamento que conseguia resumir todas as respostas de uma forma bastante simples e clara. E é com esse importante pensamento que vos deixo, para que pensem nele no vosso fim de semana, com a vossa cara metade (e assim, talvez deixem de fazer comentários ao post de baixo, levantando pseudo-questões completamente laterais ao essencial do mesmo:
os Kapas ):
A vida é cheia de surpresas, e no meio delas temos algumas desilusões, mas se soubermos olhar para as mesmas como lições de vida, depressa aprendemos a não voltar a colocar na boca um garfo cheio de tofu, com molho de espargos, só porque tem bom aspecto e nós estamos cheios de fome.
Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007
Olha que porra esta.....
A minha mulher anda a ser assediada pelo nadador salvador das piscinas. Não é que isso me faça grande mossa, pois sei que ela nunca me iria trocar por um gajo que tem uma mota e um carro desportivo.
No entanto, ela insiste em me provocar. Faz questão em me mostrar, as mensagens que ele lhe envia, com um sorriso provocador, e realmente, tenho que confessar que as mensagens irritam-me bastante. Considero-as até ofensivas. Mas o gajo julga que eu casei com uma mulher qualquer? Que ela não passou por uma refinada selecção? Pensa ele, que foi a primeira que veio à rede? Que não houve por detrás da escolha, refinados e elevados padrões de qualidade, a todos os níveis? Será que ele, sinceramente, pensa que uma mulher como a minha, pode simplesmente ser assim engatada, através de mensagens cheias de kapas ?
Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007
Desfile de Carnaval da Escola......
Mais um desfile de carnaval da escola da nossa filha, ou seja, mais uma ocasião perfeita para discussões com a minha mulher sobre futilidades:
- Já te disse que estamos atrasados? - digo-lhe eu, mais uma vez.
- Cala-te. Não me chateies. A culpa disto é tua.- responde ela, com o seu tão característico mau feitio.
- Minha?! O minhas tarefas matinais foram cumpridas dentro dos prazos.
- Sim, mas tu é que foste à reunião onde se decidiu fazer estas merdas de fantasias.
- Porque é que vocês podem dizer merda e eu não?- pergunta a nossa filha.
- Filha, só os adultos, quando estão a discutir, é que podem dizer merda.- respondo eu, no meu papel de educador responsável - E só fui à reunião porque tu me obrigaste.- digo depois à minha mulher.
- Pois, mas ficaste calado. Deixaste elas exagerarem.
- Moça, se eu falasse era trucidado. Era o único homem lá. Quando entrei começaram-se a rir. Achas que qualquer coisa que eu dissesse ia ser tida em conta?
- Podias ao menos tentar. Por isso agora não me chateies! Já me chega o tempo e o dinheiro que gastei com esta merda!
- Ainda estão a discutir?- pergunta a nossa filha. - Sabem. Há uma menina da minha turma que não vai ao desfile porque a mãe não teve tempo para fazer o vestido de carnaval.
- O quê?!! - perguntámos em coro.
- Mas o desfile é para os filhos ou é para os pais? - pergunto eu, irritado.
- A culpa é tua, mais uma vez. Uma criança em casa, só por causa de "vaidosices" de certos pais. Nunca mais! A partir de agora vou sempre eu às reuniões destas merdas.
- Disseste outra vez merda, mãe.
- A mãe está chateada com isto tudo. Achas justo uma menina hoje ficar em casa, só porque uns pais decidiram fazer uns fatos todos cheios de mariquices? Se calhar alguns pais nem dinheiro têm para isto, outros não tem tempo, e agora há uns meninos que não podem ir ao desfile. O desfile devia de ser para todos os meninos se divertirem e não para os pais exibirem os filhos.- responde-lhe a minha mulher.
- Concordo contigo, por isso mesmo deixa lá o que estás a fazer e vamos mas é embora. - digo eu.
Na escola:
- Ouvi dizer que há uma menina que não vem ao desfile porque a mãe não conseguiu fazer o fato. - diz a minha mulher na sala de aula, em frente a todos os pais e da professora.
- Pois.... É verdade.- diz a professora meio encavacada.
- Eu acho isso uma grande merda. - reage a nossa filha.
- Não era preciso bateres palmas!!!!- grita-me a minha mulher, já no carro a caminho do emprego.
Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007
Mais questões.....
Estou finalmente a perder peso. Será por causa dos meus intensos 45 minutos de natação DUAS vezes por semana?
A minha mulher diz que é por eu ter (re)começado a fumar.
Espero que ela tenha razão. Fumar cansa-me menos.
Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2007
Ena! Que bom! O dia dos namorados é hoje.....
- Um relógio? Para que é que eu quero mais um relógio? - diz-me ela, com o seu sorriso número 2, ou seja, aquele que diz: "Ena! O gajo deu-me uma prenda sem eu lhe dar nada em primeiro."
- Sei lá. Estava em promoção e comprei-o. Prefiro arriscar e comprar-te algo neste dia, do que receber uma treta qualquer tua, e depois ter que te ouvir o resto do dia. - disse eu, muito sinceramente.
- És mesmo tonto. Eu não te comprei nada. Sabes bem que eu não ligo a esta importação do capitalismo. - diz ela com o seu sorriso número 3, ou seja: "Ena, ena! Uma prenda no dia dos namorados! O gajo deve de estar cheio de fome."
- Pois claro que não ligas. Ainda me lembro do ano passado, quando fui eu a não me lembrar dessa importação! - quem quiser saber o que aconteceu, no ano passado, vá aos arquivos que eu hoje não estou com paciência para fazer links .
- Ó amor. Não sejas tonto. - diz ela com o seu sorriso número 5: "Mas não é que o gajo comprou-me mesmo uma coisa, por iniciativa própria para o dia dos namorados? Este meu homem está-me sempre a surpreender ." - Bom, mas mais um relógio? Já não sei o que hei-de fazer a tantos relógios que tenho. - continuou ela, mas agora passando para o seu sorriso número 7: "Bom, e agora o que é que eu faço a esta merda ?"
- Podias tentar usá-los para chegar a tempo a todos os teus compromissos! - digo eu, mais uma vez, com a minha habitual sinceridade.
E pronto. Fiquei a conhecer o seu sorriso número 34: "Mas isto era só para marcares uma posição? Meu grande $%#$ Insensível. Tens que arranjar forma de estragar sempre tudo. Aposto que o achaste no meio da rua. Aposto que só te lembraste que hoje era dia dos namorados porque o ouviste na rádio....Podes meter o relógio no..." Bom, no meio disto tudo, reparei em algo de extraordinário: A diferença entre o seu sorriso número 23 e este novo, reside apenas nas últimas três frases.
E para aqueles que têm dúvidas: Sim, encontrei o relógio no chão.
Domingo, 11 de Fevereiro de 2007
O que fazer para que elas nos deixem de perguntar: "Qual é que fica melhor?"
- Qual destes achas que devo levar? - pergunta-me ela, com um sapato num pé e
uma bota no outro.
- Um-dó-li-tá quem es-tá li-vre, li-vre es-tá. Este. - digo eu,
apontando para o sapato (ou seria para a bota?)
Pois tenho a anunciar, com muito orgulho e uma ponta de vaidade, que já se
passaram duas semanas e até agora, a minha opinião nunca mais foi requerida (e atenção, que estamos em época de saldos!)
Existe no entanto um pequeno aspecto negativo: Se agora lhe pergunto onde
estão uns determinados sapatos, ou meias, ou boxers, chinelos, camisa, calças, ferramentas, pilhas, etc. A resposta dela é sempre a mesma: Um-dó-li-tá... - diz ela,
enquanto vai apontando para as diversas divisões, e/ou armários, e/ou gavetas,
e/ou outra porra qualquer que lhe apeteça.
Talvez não devesse ter feito isso no meio de uma loja cheia de gente, mas mesmo assim.... 2 semanas?! Uau!
Sábado, 3 de Fevereiro de 2007
O lançamento do livro (toda a verdade).....
Primeira revelação: Não houve mousse.
Tirando esse pequeno senão, a coisa até correu bem: consegui convencer algumas pessoas a efectivamente comprarem o livro.
Para além disso, coube à minha mulher fazer a apresentação do livro, o que ela fez muito bem, embora mostrando um pouco do seu mau feitio (insistiu que não cozinha assim tão mal) e quem lá foi, ouviu algo de mim que provavelmente nunca esperaria: elogios à minha sogra.
Resumindo: uma conversa bastante informal, e um reencontro com “velhos” amigos, alguns dos quais já não via há longos anos. Resta-me agradecer a todos os responsáveis do Museu, e principalmente, à Ana Luisa Figueiredo e à Mafalda Luz, todo o esforço e dedicação que colocaram para que este evento fosse um sucesso (e também os belos doces que fizeram).
E é esta a verdade (embora as histórias abaixo tenham mais piada).
O lançamento do livro, em directo (5)......
E pronto, acabou. Resultados e conclusões:
Fiquei com menos dois amigos, mas ganhei a mousse!