Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2006
E porque o objectivo do Natal é, no minimo, pôr a minha crianças feliz....
Véspera de Natal:
- Viste? Agora o brinquedo que a nossa filha queria já não encontramos em lado nenhum. E a culpa é tua. Deixas tudo para cima de mim e não me ajudas em nada. -ralha a minha mulher.
- Mas qual é o teu problema? É um brinquedo. A moça é uma criança. Arranja-se rapidamente outro brinquedo. - respondo eu.
- Mas ela queria era aquele e eu já corri as lojas todas e nada. Isto de ser só eu a fazer estas porras tem que acabar, ouviste? Não me chega já a pressão para entregar a tese e agora mais isto em cima de mim?
- Bom, chega de porras. A partir de agora eu trato disso. Deixa de choramingar por tretas sem sentido. O natal não é sobre prendas, consumismo, implicâncias. É paixão, é amor, é partilha de sentimentos, é no fundo, termos sexo mais vezes que o normal.
- Estúpido! Quero ver como é que te vais desenrascar.
Mais tarde:
- Filha, o Jasus telefonou-me a dizer que a incontinência do Pai Natal piorou este ano, pelo que não anda com muito tempo para fazer os brinquedos que tu lhe pediste. Assim disse-me para eu te levar à loja especial em Beja e lá ires escolher outro brinquedo.
- O Pai Natal tem uma loja em Beja!!??
- Sim, é um franchising com o menino Jasus .
- E vamos lá hoje!?
- Sim. Mas não queres saber o que é incontinência? – pergunto eu, admirado e também frustrado por não poder fazer a desejada ligação à minha sogra.
- Não. Aí pai que me puseste com uma vontade de fazer chichi!!! Tenho que ir à casa de banho!! E depois vamos à loja franching !? Do Pai Natal!? Vamos mesmo!? Posso contar às minhas amigas!?
- Filha, tem calma. Aquilo é só para meninos especiais. Não é toda a gente que lá entra. O Jasus mandou-me por mail um cartão especial de entrada. Aquilo não é para todos.
- Este é o melhor natal de sempre e tu és o melhor pai do mundo. – diz ela, toda excitada abraçando-me e dando-me um beijo.
- Diz mais alto, para ter a certeza que a embirrante da tua mãe ouviu.
Resultado:
Fomos até Beja. Entrámos numa loja de móveis, com ela sempre a dar-me a mão de uma forma nervosa. Mostrei à senhora um papel, tal como os polícias fazem nos filmes, e disse-lhe, antes que a mulher tivesse tempo de me perguntar porque é que eu lhe estava a mostrar a factura do meu telefone, que íamos descer até à cave. Começámos a descer as escadas e notei o nervosismo da mocita a acentuar-se. Quando chegámos lá abaixo, apercebi-me que o natal da moça estava feito: os olhos brilhavam e não conseguia fechar a boca, nunca tinha visto tantos brinquedos num espaço tão pequeno.
Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2006
Eis o esperado, o desejado, o magnífico....
E finalmente, ele aqui está, o Magnífico, Brilhante, Supremo, Futuro Best-Seller em Cuba.
Um Livro com as melhores críticas literárias:
"Lindo!! Maravilhoso!!!" Sogro;
"Um livro que nunca esquecerei enquanto for viva." Sogra;
"Eu sempre disse que este rapaz ia longe. Agora, aquela mulher dele é que...." Mãe;
"Isso não é entrares no jogo do Capitalismo?" Pai;
"Porque é que o meu nome só aparece uma vez, no teu livro?" Filha;
e fazendo minhas as palavras da minha mulher, "Quero lá saber se gostam ou não. Comprem!!!"
Eis então o Livro "Vida de Casado", versão com dedicatória e devidamente autografado à venda em exclusivo, aqui: Vida de Casado
Quarta-feira, 20 de Dezembro de 2006
O gato......
- Temos que capar o gato- digo eu, à minha mulher.
- Coitado. - responde ela.
- Coitado!? Viste o arranhão que ele fez à nossa filha? E ao teu pai, quando ele cá esteve? Arranhou-o todo.
- Pois, se calhar tens razão.
- Se calhar!? Claro que tenho razão! Qualquer dia ainda arranha com gravidade a nossa filha, ou uma das suas amigas e depois o que fazemos? Abatemo-lo?
- Mas será que temos mesmo que o capar. Será que não podemos resolver o assunto de outra forma?
- Estão a falar do gato? - pergunta a minha sogra, que regressou para passar o Natal connosco e vai por cá ficar até ao fim do mesmo pois não tem dinheiro para ir passar o Natal junto da sua outra filha e do seu querido genro que a trata na palma da mão e que não escreve mentiras na internet a seu respeito.
- Sim, o Luís quer capá-lo - responde a minha mulher.
- Acho bem. Ainda hoje, à hora do almoço estava eu sentada no sofá preferido do teu marido e ele, do nada, salta-me para o ombro e desata-me a arranhar e a morder. Tive tanto medo que gritei e a tua filha é que me salvou. O gato é doido. Estragou-me o meu lindo robe de seda.
- E magoou-a? - pergunto eu, preocupado.
- Por sorte não, que tu, por causa de seres sovina e só ligares o aquecimento à noite, obrigas-me a andar durante o dia cheia de roupa, pelo que toda essa roupa protegeu-me não só do frio, mas também do estúpido do gato. - responde ela, aproveitando para mostrar como tem sempre uma palavra de carinho para comigo.
- Mas eu aqui preocupado consigo e você a dizer-me essas coisas? É assim que quer que a nossa relação melhore? - digo magoado.
- Mãe. Ele tem razão. Porque é que tens que estar sempre a implicar com ele? - pergunta-lhe a minha mulher.
- Eu amanhã, e porque quero que você se sinta bem aqui na minha casa, vou deixar o aquecimento ligado todo o dia. Se quiser até pode andar de T-Shirt. - digo, ainda magoado.
- E em relação ao gato? Quando é que tratas do assunto? - pergunta-me a minha mulher.
- O mais rápido possível, claro, que eu não gosto de brincar com a vida das pessoas. Amanhã vou colar uma foto da tua mãe no tronco de afiar as unhas, para ver se o coitado não se volta a enganar no alvo.
Bom, o que se passou depois só demonstra que esta treta do espírito de Natal é uma grande hipocrisia.
Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006
E porque há aqui um mercado a explorar......
Aparentemente, graças ao meu blog, passei a ser olhado como um guru, um especialista nesta coisa do casamento. Ora bem, isso para além de fazer a minha mulher feliz (graças às endorfinas que circulam no seu corpo, devido ao seu gargalhar constante, sempre que se lembra que existem pessoas que realmente pensam isso de mim) traz-me algumas responsabilidades. Essa responsabilidades passam por tentar, hoje, responder a algumas das questões que me chegam, quer por mail, quer pelo sistema de comentários. Comecemos então:
Caro Professor Doutor Luís, estou numa fase em que não entendo a relação que tenho com a minha mulher. Por um lado, praticamente não me fala (apenas me dirige a palavra para me dizer que não sei fazer nada em casa) e todas as noites me manda dormir no sofá, enquanto ela dorme sozinha na nossa cama de casal mas, no entanto, praticamente todas as noites, sou acordado por ela para ter relações sexuais. O que isto quererá dizer? O que devo fazer?
Bom, a resposta a esta questão é simples: Se acreditar em Deus, agradeça-lhe todos os dias. Caso contrário, deixe-se de queixar e de causar invejas desnecessárias a outros menos afortunados.
Isso da vida de casado é assim tão fácil, ou tu e a tua mulher têm super poderes?
Diz-me como é que vocês fazem o para que o teu casamento funcione?
Vamos por partes. A vida entre duas pessoas nunca é fácil, aliás se o fosse, já tinha desistido há muito, pois o interessante disto são os desafios que todos os dias temos, para nos conseguirmos continuar a aturar um ao outro. Sinceramente, se ela fizesse tudo o que eu lhe pedisse, não conseguiria viver com ela. Assim como, se eu fizesse tudo o que ela me pedisse sem tentar safar-me (o que raramente consigo) ou pelo menos sem dizer algumas asneiras (embora tal não adiante grande coisa) também ela não teria muitos motivos para ter conversas comigo, sobre a importância das partilhas, da vida em conjunto e da má educação que a minha santa mãe me deu. Terminando sempre a conversa com dissertações que envolvem o santo leito matrimonial.
O grande truque para que um casamento funcione é fazer a nossa mulher rir. Sempre que ela se ri está a dizer “Fiz bem em casar com este palhaço.” Mas atenção: não se deve fazer rir constantemente a nossa mulher, pois aí ela começa a pensar que vocês não passam mesmo de palhaços.
Existe no entanto uma situação na qual nunca devemos pôr a nossa mulher a rir: durante o acto sexual. O sexo é uma coisa séria, muito séria mesmo. Hipoteticamente (e só hipoteticamente) vamos supor, hipoteticamente, que lhe dizia, hipoteticamente: “Já acabei.” É o suficiente para ela se começar a rir, e o riso, neste caso específico é mau. Muito Mau! Ou seja, durante o acto sexual o homem deve estar sério, muito sério, deve pensar em coisas muito sérias. Exagerem certos pensamentos. Dramatizem situações vulgares. Façam tudo para que seja ela a dizer: “Então? Ainda não acabaste?”
Usem a vossa imaginação, imaginem que vivem num país onde só se pensa no futebol, onde ninguém se preocupa com princípios básicos de cidadania, onde as pessoas vivem “contentes e felizes” fechadas nos seus pequenos casulos, e principalmente, onde um livro de uma tal Carolina vende bem mais do que o meu.
Caro casado, a minha mulher diz que mudei muito desde que casei, que anteriormente era a pessoa mais romântica que conhecia, mas que agora nem o dia do nosso casamento comemoro, tendo até dificuldades para me recordar do mesmo. Será que o problema é realmente meu, ou é o nosso casamento que acabou?
Caro amigo, noto pela sua questão que é uma pessoa sensível, e que se preocupa com a sua cara metade, no entanto está de consciência pesada devido ao eterno mito que as mulheres nos tentam impor como real: Uma vez romântico sempre romântico. Bom, vamos lá esclarecer isto: O romantismo do homem está directamente ligado à sua vontade de ter sexo, ou seja, quanto mais excitado ele se encontra, mais romântico vai ser. Enquanto namoramos, e dado os sucessivos entraves que existem para termos relações com a nossa namorada (existirem sempre pessoas em casa dos pais; os pais só se irem deitar depois de nós sairmos da sua casa; a janela do quarto da nossa namorada ser num 5º andar; etc.) somos extremamente românticos. A partir do momento em que casamos e passamos a poder ter sexo à vontade, obviamente e naturalmente o romantismo diminui. No entanto não tem que se preocupar, pois as nossas esposas conseguem, de uma forma extremamente simples, voltarem a pôr-nos românticos. Por exemplo, eu, desde que fiz um pequeno comentário à minha esposa relativamente a um creme para a celulite, que ando extremamente romântico para com ela. São poemas, pequenas lembranças ao acordar, jantar feitos por mim e cozinha arrumada, etc.. Se isto continuar assim, por mais quinze dias, penso que o subsidio de natal, deste e dos próximos anos, vai para a compra de um belo colar de diamantes (porque, sinceramente, já não aguento muito mais).
Sexta-feira, 8 de Dezembro de 2006
Olha! Uma entrevista......
Houve
uns gajos que me resolveram entrevistar, porque ouviram dizer que este era um dos blogs mais lidos de Portugal (toma lá
Pacheco) daí que desta vez, sem mulher nem filha, pude realmente dizer tudo o que me vai na alma (embora tenham cortado a parte que eu considero mais importante e que é: Borrifem-se para o que eu escrevo e
Cliquem na Publicidade...por favor...)
Quem quiser então ouvir a minha voz sensual, e assim perceber melhor porque razão a minha mulher não me deixa, eis aqui a:
Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2006
Dogmas.....
A existência de dogmas foi algo que desde cedo me fez comichões. Para mim não houve e nunca vão existir verdades inquestionáveis, dizia eu, o ingénuo, antes do casamento. Mas para além de o afirmar, também me divertia a pô-los em causa, nas situações mais embaraçosas para uma parte da família excessivamente religiosa (a partir do momento em que o meu nome surge no livro, passaram a existir certos condicionalismos naturais, que me impedem de contar essas partes embaraçosas. Digamos apenas que uma hipotética catequista, em idade de reforma, passou a acreditar que o Anticristo existia, e tinha o meu nome).
Bom, mas tudo isso mudou com o casamento. Aqui, aí de mim que ponha em causa os Dogmas Sagrados do Casamento, e quais são eles? (perguntam vocês desesperados e ansiosos por irem comprar o mais rapidamente possível o meu livro, para aprenderem muito mais coisas para além desta, e ficarem com as mesmas sempre à mão, para saberem o que fazer perante uma crise familiar.)
Eis então os Dogmas Sagrados do Casamento (do meu, mas comuns a tantos e tantos outros):
Dogma 1: A escolha de roupa por parte das nossas mulheres, está sempre correcta.
Dogma 2: A escolha de roupa por parte dos maridos, está sempre errada.
Dogma 3: Mandar calar uma mulher, só faz com que ela fale ainda mais.
Dogma 4: A época para ligar o aquecimento central começa dia 1 de Novembro, e termina quando a mulher quiser, não importando se está frio ou não, ou o preço a que está o Gasóleo.
Dogma 5: Existe sempre dinheiro disponível para comprar roupa, mas não para comprar um novo par de asas para o avião telecomandado (nem para a antena do telecomando, nem para o trem de aterragem, nem para a fuselagem, nem para as hélices, nem para a parte de trás do avião, da qual não me lembro o nome.)
Dogma 6: Se a mulher diz que o homem tem uma nuvem negra a pairar em cima, é porque assim é.
Dogma 7: Enquanto o homem tiver uma “nuvem negra”, a pairar sobre a sua cabeça, não pode falar com a mulher, pois existe o perigo de contágio.
Dogma 8: Os livros do Osho não devem, nunca, ser usados para diminuir a factura do aquecimento da casa.
E porque é Natal:
Dogma 9: O Natal sem ser passado junto da sua mãe, não é Natal.
E porque o membro mais novo da família também já tem dogmas, eis o seu, também alusivo à época:
Dogma 10: O Pai Natal não precisa do dinheiro, que está nos mealheiros dos meninos, para comprar as prendas, pois o Pai Natal é muito Rico.
Terça-feira, 5 de Dezembro de 2006
Dúvidas, dúvidas, dúvidas.....
Será que alguém já sentiu, apalpou, ou cheirou o livro?
Será que o advogado da minha sogra sempre meteu uma providência cautelar?
Será que ele é mesmo assim tão bom e têm assim tantos contactos, como ela diz?
E a mais importante de todas, se os seus honorários são proporcionais à sua competência, será que vai existir dinheiro para a herança?
Dúvidas e questões e eu sem tempo para pensar nisso, mas aquela da herança chateia-me.