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Mas que raio....

Mais uma mulher na minha ...

Terça-feira, 31 de Outubro de 2006
Aproxima-se o dia do parto......
Parir um livro tem muito de semelhante a parir uma criança, eis o que eu digo à minha mulher (e eis mais uma coisa que a põe a rebolar no chão, a rir). Mas realmente é:
A expectativa, a incerteza do dia do parto, os gritos de dor dados pela minha sogra, assim que soube da novidade, as fortes dores com que fiquei por ter os ouvidos demasiado perto dela...enfim, todas estas dores e ainda não foi o parto. E quando é que o mesmo vai ser? Pergunta-me constantemente a insensível da minha mulher: “Estou farta de te ver para aí, sempre com as emoções ao cimo da pele. Não te posso dizer nada que ficas logo irritado.” E pronto, para evitar começar a chorar, resta-me terminar por aqui e dizer-vos que espero daqui a um mês ter novidades.
publicado por Luis às 22:28
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Quarta-feira, 25 de Outubro de 2006
A teoria da conspiração.....
Como já referi para aqui algures, a minha mulher acredita em coisas que a mim pouco ou nada me dizem. Para ela tudo o que acontece deve-se a razões metafísicas, transcendentais, a sinais presentes em tudo o que de bom ou de mau acontece à nossa família, ou a ela própria.
Consegue relacionar o facto de ter apanhado uma multa por não levar o cinto, com a necessidade que temos de mudar de emprego. O facto de estar prestes a entregar a sua tese, com a necessidade que temos de mudar de emprego. O facto de passarmos a ter contratos ainda mais precários, com a necessidade que temos de mudar de emprego.
Mesmo as coisas boas que lhe acontecem, não fogem a esta sua teoria da conspiração: se um gajo chega nu de manhã à nossa casa de banho, onde por estranha coincidência, ela também está lá toda nua, qual é a conclusão óbvia que qualquer homem normal tira????? Mas ela não. Para ela, se estamos ambos nus (por pura coincidência, volto a repetir) isso é só para nos mostrar que andamos ambos sem tempo e cheios de stress e que as coisas não podem funcionar sempre com rapidinhas, porque ela é uma mulher de emoções e sentidos e que por isso.....temos de mudar de emprego.
publicado por Luis às 13:45
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Domingo, 22 de Outubro de 2006
Curtas da vida de casado....
Durante o jantar:
- Come os agriões. - ordena-lhe a mãe.
- Não. - responde ela.
- Os agriões fazem bem à cabeça. Fazem-na crescer.
- Já tenho uma cabeça grande.
- Também fazem crescer a maminhas. -diz-lhe a mãe, em forma de segredo, tentando aproveitar-se da nossa filha ser vaidosa.
- Mentira.
- Não é nada.
- É sim. Tu comes muito agrião e só ao pai é que as mamas crescem.
publicado por Luis às 23:35
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Segunda-feira, 16 de Outubro de 2006
Encontro com Deus (2)......
- Eu não sei porque vieste comigo. – digo para a minha mulher.
- Cala-te. – responde ela.
- Já tenho idade para vir sozinho.
- Cala-te.
- Não posso entrar sozinho, e tu ficas aqui à espera?
- Cala-te.
- Não tens que ir levantar nenhuma encomenda de roupa, aos correios?
- (suspiro)
- Se não entrar dentro de cinco minutos, vou-me embora. Tenho mais que fazer.
- Mas tu não te calas?
- Depende.
- Do quê?
- Se ainda falta muito para fazeres birra e me deixares aqui sozinho.
- Meu amor, nunca perderia esta consulta, por nada deste mundo. – reage ela, dando-me um beijo que me soube demasiado a ironia.
Pouco depois entrámos no mundo de Deus:
- Então é este ano? – pergunta Deus.
- É este ano o quê? – pergunto eu.
- Que me vais mostrar uma análises porreiras.
- Se calhar é melhor cá voltar para o ano. – respondo, amuado.
- Bom. Não hão-de estar assim tão más. – diz Deus, enquanto começa a folheá-las.
Após uma longa pausa, Deus pousa os óculos e os papéis com as análises e diz:
- Andas a fazer exercício? – sabendo já qual a resposta.
- Durante o Verão não dá para nadar nas piscinas descobertas – reajo – Tenho medo que alguém me caia em cima.
- Mas quantas vezes eu te disse para ires ao ginásio? – diz a bufa.
- O ginásio? – digo sobressaltado – E as minhas hérnias?
Deus limitou-se a abanar a cabeça.
- Também, essas análises foram feitas depois de um fim de semana onde abusei um pouco da comida. – disse.
- Fizemos as análises a meio da semana. Deixa-te de desculpas. – disse a bufa.
- E estes valores de glicose, depois de comeres. Estão um pouco elevados para a tua idade. – diz Deus.
- Eu, nesse dia, descuidei-me e pus açúcar a mais no galão. – disse, de cabeça baixa.
E lá veio a palestra, dada por Deus, sobre os antecedentes familiares nos diabetes. Na tendência genética para o colesterol. Referiu, mais uma vez, a importância do combate ao sedentarismo. Mostrou-me, no computador, que estava no limite do valor de risco cardiovascular, enquanto a pequena bufa estremecia. Falou no peso...
- Eu emagreci dois quilos desde o ano passado. - interrompi-o, orgulhoso.
- Vamos medir o perímetro abdominal. - disse Deus, ao mesmo tempo que agarrou numa fita.
- Não encolhas a barriga. – ordenou-me Deus.
- Não estou a encolher. É mesmo assim. Perdi dois quilos. – respondi, de peito cheio.
Deus esperou, pacientemente, que eu voltasse a respirar e só então tirou as medidas.
Enquanto eu recuperava o fôlego e a pequena bufa escondia a cara, Deus fazia contas.
- O teu índice de massa corporal está nos 26. – diz Deus, mostrando um gráfico.
- Isso é bom, não é? – perguntei, para ver se a bufa ficava mais animada.
- Olha para o gráfico. – ordenou Deus.
Estava no amarelo.
- Estou mesmo junto ao verde. Não estou muito mal. Se para o ano perder mais dois quilos, fico no verde. – disse eu, com convicção.
Bom, Deus deveria ter mais cuidado quando se ri assim à frente dos doentes, pois outros, que não eu, podem pensar que esse tipo de gargalhadas demonstram falta de confiança nas palavras dos seus doentes.
- Toma, avia isto e volta cá daqui a três meses. – diz Deus, enquanto me entrega uma receita.
- É para quê? – pergunto-lhe.
- Para baixar o colesterol.
- Se eu tomar isto, não preciso de fazer dieta? – pergunto.
- Só estava a brincar. – digo, ao mesmo tempo que massajo a perna, para ver se as dores causadas pelo pontapé da minha mulher, passam.
E pronto, agora ando a comprimidos e a dieta, ou seja, tenho que comer o que normalmente a minha mulher faz e não posso refilar.
publicado por Luis às 23:18
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Quinta-feira, 12 de Outubro de 2006
Publicidade 4......
Eis mais um Reacção Cultural e mais uma crónica.
publicado por Luis às 18:26
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Quarta-feira, 11 de Outubro de 2006
Curtas da vida de casado....
Eis mais um bloqueador de conversa (a ser usado com moderação pois também funciona muito bem como bloqueador de sexo):
- Mais logo, quando tiveres sentado a ver televisão, hás-de agarrar aqui na revista e dar uma olhadela às páginas que estão marcadas, para ver se gostas de alguma coisa para ti. – diz-me ela, enquanto folheia as páginas de um catálogo de roupa.
- Sabias que de acordo com as teorias da mecânica quântica, o Universo é imprevisível ? Logo existe a ínfima probabilidade, mas existe, de eu desejar que tu desapareças e isso efectivamente acontecer.
publicado por Luis às 23:21
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Segunda-feira, 9 de Outubro de 2006
A minha filha, argumentista de novelas mexicanas.....
- Mas filha. A tua mãe sou eu. Eu é que te amei desde sempre. Porque me fazes isso a mim? – diz a nossa filha.
- Não. Tu não és a minha mãe. A minha mãe é a Barbie dançarina. – responde a amiga.
- Como podes dizer isso? Partes o meu coração. Não me faças isso. Eu sou a tua mãe verdadeira e o teu pai.....sabes quem é filha, sabes?
- Não quero saber....... Quem é?
- É o Batatoon. É ele o teu verdadeiro pai. Agora vem comigo. Vamos para casa pois temos que ir às comprar, e tu tens que ir pôr a mesa e arrumar a casa toda que está toda desarrumada.
- Não. Não quero ir contigo. Quero ficar aqui.
- Mas tens que vir, pois a mãe sou eu e tens que me obedecer, senão ficas de castigo.
- Mas eu quero ficar aqui no meu castelo.
- Deixa o castelo e vem comigo. Vamos para uma casa mais pobre mas onde vais estar com os teus verdadeiros pais, que são eles que gostam de ti. Aqui no castelo só pensas em roupa e em penteados. Se vieres comigo eu mostro-te mais coisas, pois a vida não é só feita de roupa e espelhos. – diz a nossa filha, num tom muito semelhante a alguém familiar.
- Então e agora? – interroga-a a amiga.
- Agora vens comigo e eu vou continuar a chatear-te para tu arrumares tudo e o Batatoon também te vai obrigar a fazer muita coisa. Vou-te obrigar a comer sopa e só podes ver televisão uma hora por dia. – mais uma vez um tom familiar....hummm.
- Quanto é que é uma hora?
- É um bocadinho da Floribela e três SpongeBoob.
- E depois?
- Depois tu ficas farta e voltas para o castelo.
- E tu ficas triste?
- Não, porque depois ponho as culpas em cima do Batatoon. – aí está o tal tom, outra vez.
- E depois?
- Depois vamos buscar o gato e fingimos que é o príncipe mau. Mas tu ao principio não sabes e deixas que ele te engane e pense que gosta muito de ti. Depois ele quer dar-te beijinhos e tu começas a gritar e foges. Depois aparece o Batatoon e salva-te. Depois choramos todos muito e acaba a história. Não é gira?
- Não gosto de gatos. – diz a amiga.
- Melhor. Assim vai parecer mais a sério.
- Mas eu não quero o gato ao pé de mim. – diz, num tom bastante sério.
- Não sejas maricas, agora a história já está feita e não a podes estragar.
- Mas o príncipe não pode ser outra coisa?
- Não porque depois o Batatoon bate no gato e ele vai-se logo embora.
- E não me arranha?
- Boa. Podemos fingir que ele te arranha e assim até é melhor.
- Mas eu não quero que ele me arranhe.
- Não. É só a fingir.
- Mas eu não quero brincar com o gato.
- Olha. Eu tive muito trabalho para inventar esta história, agora não vou mudar só porque tu tens medo do gato.
- Está bem. Mas quando fores buscar o gato eu começo logo a gritar.
- Não podes. Tu não sabes logo que ele é mau. Só depois é que ficas a saber quando ele te quiser dar beijinhos.
- Mas eu não quero tocar nele.
- Então e se for o meu pai o príncipe? – diz a nossa filha, ao mesmo tempo que sinto os cabelos da nuca a eriçarem-se.
- O teu pai?
- Sim. Também tens medo do meu pai? – interroga ela, num tom de gozo.
- Não. Mas ele não é já muito velho? – ora aí está mais um eriçar de cabelos, da minha parte.
- É. Mas a gente mete-lhe uma capa a tapar-lhe a cara e os cabelos brancos. – bom, pelo menos não falou na careca.
- Boa. E depois quando ele quiser dar beijinhos, tiramos-lhe a capa e ele transforma-se num velho mau e aí vem o Batatoon salvar-nos.
- Boa. Vou chamá-lo. – diz enquanto se prepara para sair do quarto.
- Então, estão-se a divertir? – pergunto eu, entrando no quarto antes que elas se apercebessem que as estava a ouvir.
- Sim. Queres fazer de príncipe na nossa história? – pergunta-me a nossa filha.
- De príncipe bonzinho? Claro. – respondo eu.
- Mas tens que pôr esta linda capa a tapar toda a cabeça. –diz a amiga entregando-me um bocado de pano.
- Porquê? – pergunto eu.
- Porque.......Porque ninguém sabe que tu és bonzinho e só depois de tirares a capa é que todos ficam a saber. – responde a nossa filha.
- É mesmo assim? – pergunto desconfiado.
- Sim. Mas não faças mais perguntas. Quem manda aqui sou eu. Eu é que fiz a história. – responde a nossa filha.
- Está bem. E o que é que eu tenho que dizer? – pergunto eu.
- Chegas ao pé dela e queres ser seu amigo. – diz a nossa filha apontando para a amiga.
- E depois? – continuo.
- Depois ela também fica tua amiga e vão passear.
- E depois?- insisto.
- Depois tu queres dar um beijinho, mas ela não deixa.
- Sim??? – pergunto.
- Depois, para que ela veja como tu és bonito, tiras a capa e pronto. O resto fazemos nós.
- Não me estás a enganar, pois não? – pergunto desconfiado.
- Só um bocadinho, mas não te preocupes que depois dou-te beijinhos e um chocolate.
- Dois chocolates e está o negócio feito. – digo-lhe.
- Um chocolate e um rebuçado para a tosse. E ao jantar não me obrigas a comer a sopa toda. – reage ela.
- E tu não deixas a mãe escrever no quadro do não gostei durante dois dias. – digo.

E assim, como achei o acordo bastante razoável, tentei dar o meu melhor e cumprir correctamente o meu papel de.....”velho mau e careca” (como elas gritaram, assim que tirei o pano da cabeça). Mas os beijinhos e os chocolates serviram para atenuar um pouco a dor causada pelas palavras.
publicado por Luis às 00:08
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Terça-feira, 3 de Outubro de 2006
Curtas da vida de casado......
Conversa no caminho da escola para casa:
- Então moça, já aprendeste a ler? - digo para a picar.
- Ainda não.
- E a escrever?
- Também não. - diz, enquanto vai saltitando pelo caminho.
- Tanto tempo na escola e ainda nada! Afinal o que é que já aprendeste?
- Aprendi que os trabalhos de casa não me deixam ver televisão. – diz ela, no meio de um suspiro, correndo depois para cima de um pequeno muro e fingindo que era equilibrista.


Enquanto estávamos a jantar num restaurante:
- Filha, não peças esse doce que é muito grande para ti e depois não o acabas. – diz-lhe a minha mulher.
- E o pai está aqui para quê? – responde-lhe ela, enquanto eu, entre lágrimas, lhe sugeri um outro um pouco maior e mais enjoativo.
publicado por Luis às 22:59
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Domingo, 1 de Outubro de 2006
Teve hoje início a época da Sopa......
- O que é isto? – pergunta a nossa filha, apontando para um minúsculo objecto orgânico de cor laranja.
- Não comeces já com isso. – responde-lhe a minha mulher.
- Acho que hoje vais para o quadro do não gostei. – ameaça a nossa filha.
- E eu acho que vais ficar sem ver televisão, durante uma semana. – responde-lhe a minha mulher.
- Já alguma vez te disse que a minha mãe cozinha melhor que tu? – digo eu, mudando de conversa para desanuviar o pesado ambiente que ali se estava a instalar.
- Hiiiiiiii , tanta palavra feia. Agora é que vais mesmo parar ao quadro do não gostei, não é pai? – diz a nossa filha, após a longa palestra da mãe sobre o meu comentário.
- Mas que mania é essa de eu ter que servir de exemplo. Eu não quero que a nossa filha pense através de outros. A nossa filha há-de crescer a pensar por si, sem ter que seguir exemplos só porque a sociedade o diz. A nossa filha tem que crescer no meio de uma liberdade orientada, na qual, nós como pais, só temos uma obrigação: mostra-lhe todos os caminhos possíveis e deixá-la seguir o seu rumo. Não é a seguir a carneirada, nem supostos ídolos, nem exemplos do pai, da mãe, da avó, do primo, ou da prima. Principalmente da prima, que começou a tomar a pílula aos 17 anos e que agora foi passar uma semana de férias aos Estados Unidos sozinha com o namorado. Por isso eu digo: Nesta casa, enquanto eu aqui tiver voto, ninguém há-de seguir exemplos de ninguém. Todos somos livres de pensar por nós e aceitar as consequências de todas as nossas acções. Posto isto, tenho-te a dizer que eu, estou farto da ditadura da sopa nesta casa e que por isso, não como mais a merda da sopa de espinafres. – digo eu, em resposta à sua palestra, num discurso que considerei bastante coerente.
- Boa pai. Se tu não comes, eu também não como a merda da sopa de espinafres. – diz a nossa filha, deitando completamente por terra o meu inflamado e inspirado discurso.
publicado por Luis às 21:59
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