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Após uma longa conversa sobre os prós e contras de inscrever a nossa filha na primária, já no próximo ano lectivo:
- Então? Em que é que ficamos? Inscrevemos a moça, ou não?
- Não sei… Olha lá, porque não a informamos dos prós e contras e ouvimos a opinião dela?
- Ok. Boa ideia.
- Filha anda cá. Queremos te perguntar uma coisa.
- O que é? - pergunta ela.
- Blá blá blá….teca teca teca blá blá blá.
- E convém não esquecer que….blá blá blá….teca teca teca…e blá blá blá.
- E então o que queres? Queres ir para a primária, ou queres continuar na pré por mais um ano?
- Quero ficar naquele que tem mais tempo de recreio. – diz, saindo logo de seguida para voltar às suas brincadeiras, pensando certamente, que tem uns pais muito complicados.
- Então para a festa de hoje…Já decoraste a música? – pergunto-lhe eu.
- Não digo. – responde a nossa filha.
- E a festa vai demorar muito tempo? – insisto.
- Não digo. – repete ela.
- E sabes porque é que se festeja o 25 de Abril? – volto eu a insistir.
- Não digo. E deixa de me fazer perguntas. – diz ela, deixando vir ao cimo o mau feitio que herdou da mãe.
- Pois….Tu não sabes e por isso é que não queres dizer.
- SEI SIM. Não quero é dizer.
- Deixa de dizer baboseiras. Não sabes nada. – insisto eu, usando os meus complexos conhecimentos de psicologia infantil.
- Sei pois, que a minha professora ensinou-me.
- Pois ensinou…. Aposto que nem sabes em que dia se comemora o 25 de Abril.
- Sei pois. É num feriado. Vês como eu sei.
- Está bem. Essa acertaste. Mas porque é que se comemora o 25 de Abril? – reparem no meu espectacular jeito inato para esta coisa da psicologia.
- A minha professora disse que era para festejar a morte de um senhor e que as pessoas ficaram todas contentes.
- Uau…a tua professora sabe mesmo as coisas. E quem era esse senhor? - pergunto para ver o que ia sair dali.
- Ela disse que não se lembrava do nome.
- Não era o Pai Natal?
- NÃO…..O PAI NATAL NÃO MORRE.- grita ela, quase desesperada por eu ter tido a audácia de sugerir o nome do seu ídolo.
- Como é que tu sabes? Se a professora não sabe o nome, pode ter sido o pai natal a morrer.
- NÃO FOI NADA. TU NÃO SABES NADA. O HOMEM ERA UM HOMEM QUE SÓ CHATEAVA AS PESSOAS E O PAI NATAL NÃO CHATEIA NINGUÉM.
- Bom, então se calhar foi outra pessoa….Agora, quem terá sido?
- Se calhar foi o Jesus. - diz ela, depois de uns instantes a pensar.
- Olha!!! Vamos telefonar à avó (minha sogra) a perguntar se no 25 de Abril se festeja a morte do Jesus.
Resultado: a minha mulher apanhou-nos a meio da marcação dos números e eu não consegui tapar a boca da nossa filha antes que ela dissesse à mãe o que íamos fazer. Pelo que se perdeu mais uma bela oportunidade de chatear a minha sogra.
Acho piada à forma como certas pessoas olham para este blog e, a partir do mesmo, conseguem desenhar a minha personalidade: “que só me queixo, que coitada da minha mulher por me ter, que coitada da minha filha pelo pai que tem” e ainda a minha preferida: “coitadinho-de-mim-que-fui-obrigado-a-casar-com-esta-megera-e-a-minha-única-consolação-nesta-vida-são-as-anedotas-do-Fernando-Rocha”.
O meu problema é que não consigo evitar a resposta a este tipo de comentários, mails, ou, como no caso do último exemplo, posts noutros blogs. Porquê? Porque penso que todos nós temos uma missão na terra e a minha é encalacrar a cabeça aos outros.
Comecemos pelo blog, que a mim se dirigiu, de uma forma…menos elegante. Eu tenho um estranho princípio de vida, que é o seguinte: Se não tens bem para dizer, mais vale estar calado. E tento aplicar isso em todos os aspectos da minha vida. Inclusive na blogosfera. Ou seja, nunca irão aqui ler coisas sobre outros blogs, só porque me apetece dizer mal. Não faz parte do meu feitio. Se não gosto, não vou, não faço comentários, não mando mails e, principalmente, não faço posts sobre o mesmo. Avanço. Não perco tempo a digitar palavras que possam atenuar as minhas frustrações, sobre a minha relação, a minha família, a sociedade e outras porras, usando para isso, como bode expiatório, uma “vitima” que encontrei “por acaso” na blogosfera. Não quero com isto dizer que seja imune à crítica. Critiquem o que quiserem. Nunca me irão ver a eliminar um comentário que me critique (não confundir critica com insulto). Agora, se quiserem criticar, certifiquem-se primeiro que não estão a dizer baboseiras.
E porque eu gosto de vos ajudar a fazer criticas construtivas, eis algumas dicas, às quais chamei, originalmente e com alguma modéstia, as leis do Casado para a leitura dos seus posts:
Primeira lei do Casado para a leitura dos seus posts
A vida não deve ser levada demasiado a sério.
Segunda lei do Casado para a leitura dos seus posts
O meu blog não é um espelho
Terceira lei do Casado para a leitura dos seus posts
Machismo, e Feminismo exacerbado, são apenas formas que as pessoas têm para se escudarem das suas frustrações sexuais.
Nota - Podia dar exemplos mais aí iria quebrar a segunda lei.
Quarta lei do Casado para a leitura dos seus posts
Não esperes encontrar aqui o segredo de como manter uma relação.
Nota - Caso acredites que eu tenho esse segredo, contacta-me e prepara-te para realizares um generoso depósito bancário
Quinta lei do Casado para a leitura dos seus posts
A personalidade de um blogger não se conhece pelos seus posts.
Nota – Existe efectivamente a possibilidade de eu ser homossexual e manter o casamento só como fachada (o que pode explicar o facto de, em casa, mijar sentado)
Sexta lei do Casado para a leitura dos seus posts
Se não tens capacidade para te rir de ti mesmo, não desanimes, podes vir a ser Presidente da República.
Nota 1– E este blog não te vai dizer absolutamente nada.
Nota 2- Não que o blog diga grande coisa.
Sétima lei do Casado para a leitura dos seus posts
A minha mulher tem um excelente sentido de humor.
Oitava lei do Casado para a leitura dos seus posts
A minha mulher não é masoquista.
Nona lei do Casado para a leitura dos seus posts
Ironia: figura de retórica que exprime o contrário do que as palavras significam e que serve para depreciar ou engrandecer.
Nota - Tirado daqui.
Décima lei do Casado para a leitura dos seus posts
Se queres ganhar dinheiro na blogosfera não uses o Google AdSense.
Nota - Não tem nada a ver com o assunto, mas é algo que me chateia.
Ao pequeno almoço:
- Eiii!!! Porque é que essa última torrada é para ti? – pergunta-me a minha mulher.
- Porque fui eu que a agarrei primeiro. É a lei da selva, minha cara. – respondo eu.
- Humm…..está bem. Só uma palavra: Sexo.– diz-me ela.
Resultado:……..É PRECISO DIZER???????