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Sexta-feira, 8 de Junho de 2007
Os urbanos....
Desde que me conheço que sou um bocado parolo. Um gajo do campo, ou seja, sou um verdadeiro Hillbilly (isto é para que os urbanos modernos e globalizados, que usam bastantes termos em Inglês, percebam). A minha mulher, por outro lado, cresceu no meio de autênticos gangs urbanos franceses. Com eles aprendeu algumas técnicas, as quais recentemente, nos permitiram abrir o nosso carro (que tinha ficado trancado, com as chaves lá dentro). Lembro-me que, na altura em que por toda a França se andavam a incendiar carros, me pareceu ver nos suspiros que ela dava, alguma nostalgia por esses seus velhos tempos de marginal (assim como a sensação de ela estar a reconhecer alguns dos seus antigos companheiros).
Quando começámos a viver juntos, estas nossas perspectivas de vida tiveram que sofrer óbvias adaptações: eu ensinei-a a apreciar a calma, o sossego e os mexericos campestres. Explico-lhe que não é por incendiar o carro a alguém, que essa mesma pessoa vai deixar de andar pela vila a dizer, a quem a quiser ouvir, que todas as manhãs encontra a minha mulher a correr, feita parva. Ela, por outro lado, mostrou-me que as minhas dores de cabeça, que surgem quando vejo muita gente, afinal também se podem dever à variedade de cores que ela me obriga a ver, sempre que vamos aos saldos a Lisboa.
Bom, mas isto tudo para dizer o quê?
Recentemente tive que ir a Lisboa por motivos estritamente profissionais (sim, porque por muito estranho que isto possa parecer, eu tenho uma segunda vida que ocorre para além do blog, a qual incrivelmente, é bem mais importante e prioritária que esta). Como é normal sempre que lá vou, e por mais que estude de véspera o itinerário, acabo sempre por me perder, o que implica ter que conviver com a estranha linguagem que os Lisboetas usam para dar indicações: "Vá até à Rotunda do Relógio e....." ou "Está a ver onde é o Marquês? Segue por aí e...." e ainda "Isso é fácil. Vai até Benfica e depois...." Como não quero conhecer os estranhos códigos que estão por trás desta linguagem, comecei por usar um sistema infalível: Decorei o caminho até à Cidade Universitária, deixo o carro por lá e depois ando de Metro. Continuo a perder-me na mesma, mas pelo menos agora já não entro em ruas específicas para Bus, com o meu carro.
Mas agora que ando mais a pé por Lisboa, tenho tempo para olhar de frente para os urbanos e sentir alguma empatia por eles. Passam uns pelos outros com uma completa e total indiferença, os olhos nunca se cruzam, vivem juntos, mas ao mesmo tempo sozinhos, isolados, cada qual preocupa-se apenas com a sua vida e nada mais. Sozinhos no meio da multidão...Pensar nisto faz-me ficar à beira das lágrimas...Como é que eles conseguem fazer isso? Anda um gajo a tentar viver assim há anos, e de resultados práticos, nada. Só frustrações..... Aliás, ainda hoje fiquei a saber que a nossa família foi TODA convidada (ou seja, também eu estou incluído) para participar na festa do S. qualquer coisa que a nossa vizinhança vai organizar, exactamente no largo em frente à nossa casa. Porra, é nestas ocasiões que tenho inveja dos urbanos.
Mas a solidão dos urbanos também me preocupa, que eu no fundo sou um gajo sentimental. Bastou, nesta minha viagem a Lisboa, sair do metro e perguntar à primeira pessoa que vi, por indicações, para sentir na pele toda a despersonalização que uma grande cidade provoca nas pessoas que nela habitam. Pois, para além de algumas indicações percebíveis, fiquei ainda a conhecer toda a história clínica da pessoa, a qual fez questão de me ir acompanhando ao longo de grande parte do trajecto, mesmo quando eu acendi um cigarro após ele me ter dito que não suporta o fumo do tabaco. Quando perguntei a outra pessoa por novas indicações, fiquei a saber qual o estado de comodismo da mesma, e como esse mesmo estado o aflige, tendo admitido não conseguir lutar contra ele. Obviamente que depois disso nunca mais perguntei nada a ninguém, pois posso ser campestre, mas não sou padre para andar a ouvir confissões.
No meio de tudo isto, há algo que efectivamente me marca, a mim, que sou sem dúvida uma pessoa emotiva. No metro aflige-me ver a indiferença com que todos olham para quem anda a pedir porque é cego, ou aleijado. É algo que me toca fundo. Fico com vontade de gritar e de chamar a atenção de todos, que ali existe uma pessoa, um ser humano, que está a pedir ajuda. Tenho vontade de sacar da minha carteira e dar-lhes todo o dinheiro que lá existe. Desta vez, assim que pensei nisso, resolvi que esta seria, sem dúvida, uma grande lição para aquela cambada de insensíveis, a quem eu estava a dar o privilégio de partilharem o metro comigo. Tiro a minha mochila e saco a carteira. E é então que reparo... Alguma pobre alma já se tinha encarregado de tirar todo o meu dinheiro, tendo tido a gentileza de levar também o meu cartão de crédito, para que a sua pobre família não passe fome.
publicado por Luis às 19:28
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41 comentários:
De teresa a 8 de Junho de 2007 às 20:28
Luís Casado... tem graça tem! Mas era um desfecho previsivel! Os teus post's agora são espectaculares, como os anteriores... mas são menos genuínos... percebe-se que têm o teu cunho pela escrita notável. Mas as histórias são velhas.

Mas estás mto bem! sempre bem!

e a sogra???
e o quadro do não gostei??

isso é que era giro, Luís!

(eu não sei que tenho em évora... que de évora me estou lembrando... ;) ... quem diria vir encontrar-te aqui!!)

Bjs gdes
De A Elite in Paris a 8 de Junho de 2007 às 20:57
Lamento imenso teres sido roubado. Ja perdeste a carteira once em França e agora é o seu conteudo... realmente ninguém merece.
De shelyak a 8 de Junho de 2007 às 21:14
Moro em Lisboa e sorria-me ao ler-te... tenho sentido essas "complicações" de que falas sempre que me habituo à vida calma longe de Lisboa, numa casa que tenho perto da praia, e tenho que regressar à "civilização".
Mas deixa-me dizer-te, quando falas em andares perdido pelas ruas desta grande cidade, já te ocorreu arranjares um telemóvel com gps, tipo HTC, ou parecido, em que basta pôr a direcção e temos uma menina (nunca é homem!!!) com voz toda meiguinha dizendo-nos para voltar para a direita ou para a esquerda ? Resulta e bem...
Indiferença em Lisboa, assim como em todos os grandes centros urbanos em que a despersonalização é uma constante, assusta sim embora não muito mais do que as notícias que vamos ouvindo no telejornal ou afins...aí, o que separa a nossa indiferença de alguma emoção será o número de mortes ou parecido... mau realmente que é...
Antigamente, costumava dar dinheiro a pobres, nos casos em que me tocavam mais, só que, depois de ver as aldrabices que me diziam, fiquei sem conseguir distinguir a verdade da mentira. Jà andava maluco, pensando - quando me pediam dinheiro - se estou ou aquele estaria dizendo a verdade... e depois desse momento, após o julgamento feito, continuando... será que era ? será que não ?
Agora, para mantar a minha cabecinha sã , tive que tomar uma atitude drástica: não dar a ninguém! Chato que é ? sim.. verdade mas.... :(
Um abraço...
De urbe a 15 de Junho de 2007 às 16:12
é verdade. Os urbanos têm este dever de alertar os campestres para os burlões. Também, há uns tempos, andei aí a sofrer por causa de uma mulher que pedia à porta do pingo doce. Pensei levar-lhe roupas, comida, e sofria por lhe recusar esmola. Eis quando, um belo dia, vejo-a a falar ao telemóvel. (Pensei: "desculpem lá! mas quem tem dinheiro para carregamentos e passa tanta fome, gere mal as prioridades"). Mas senhor do campo, não fica por aqui, pois isto ainda é pior que má gestão - trata-se de redes organizadas que levam estes desgraçados destes imigrantes a trabalhar nas ruas na pedinchice, em troca de uma triste forma de sobrevivência.
A urbe é fascinante, mas tem destas coisas. O campo é maravilhoso mas também as tem e por vezes é mais perverso, precisamente porque toda a gente prefere pensar que no campo é só gente boa e saudável. Mas há muito isolamento, (em alguns casos, até leva ao suicídio, ), violência doméstica (não havia uma senhora que vivia agrilhoada ao tanque, porque o marido achava que assim é que devia ser? - Aí está uma bela vida de casado!), tipos que desatam aos tiros nos bares e cafés, gamanço a velhinhas isoladas e ingénuas, discriminação de vários tipos, etc...Campo ou cidade, Portugal ou estrangeiro, já nada está a salvo. É consequência do regime político e social a que pomposamente chamam globalização.
De HappyGuy a 8 de Junho de 2007 às 21:43
Lamento muito que te tenham roubado a carteira. Pelo menos não foste alvo de violência... Tenho pena também que ultimamente tanta coisa te corra mal, que andas desmotivado, tristonho. Ainda que goste do teu novo lado cínico.

Mas o que me leva a vir postar comentário é por causa da parte de dar aos "aleijadinhos" do metro... Sou dos "urbanos", nasci e sempre vivi em Lisboa. E desde que me lembro de andar de metro, alguns dos ceguinhos que lá pedem são os mesmos.

Tal como eu, milhares de outras pessoas os vêem todos os dias no metro. Se nos fosse incomodar, estavamos bem tramados.

Para mais, convenhamos... Eles pedem (bem como muitos outros) não porque não tenham outra hipótese. Mas sim porque as "outras hipóteses" dão muito trabalho. E dinheiro fácil toda a gente prefere...

Uma das ceguinhas, já agora, ganha o suficiente para a sustentar e a um rapaz mais novo, com saúde para trabalhar, que a vai "seguindo e acompanhando" à distância, pelas carruagens, em determinados dias.

Todos nós pagamos Segurança Social. Não é para estas coisas? Sempre que alguém me pede o que quer que seja, digo não. Todos os meses dou. A SS que redistribua. E se não está a dar a alguém que me pede é porque quase de certeza esse alguém não merece.
De Luísa a 9 de Junho de 2007 às 00:08
Magnífico, como sempre.
Quanto aos pobres não é indiferença, mas sim defesa... quando vim morar para Lisboa, era uma coisa que me fazia confusão e eu passava a vida a abrir a carteira para dar. Até que acordei para a vida: tal como Shelyak , fui enganada com histórias mirabolantes e depois de ver dois cegos discutirem por um ponto para pedirem... achei que era demais... neste momento apoio instituições que apoiam quem realmente precisa e não os calões ou os que exploram uma incapacidade da extorquir dinheiro aos outros...
De scas a 9 de Junho de 2007 às 07:34
não é que isto te adiante de muito (aliás, acho mesmo q não te serve para nada!), mas distingui-te com um prémio que pode ser levantado no blog onde eu «posto». Pelo que escreves, pelo que dizes, pelo que transmites... the award goes to...
De Lurdes a 9 de Junho de 2007 às 11:37
Olha, não sei se ria se chore!
És mesmo um gajo do campo!!! Fizeste-me lembrar a minha pessoa quando por aqui cheguei... o Porto é um bocadinho mais pequena mas para quem chega de uma aldeia piquenina... ainda hoje me admiro com muita coisa!!!

Beijinhos
De SoNosCredita a 9 de Junho de 2007 às 17:33
pois... :/


"e depois ando de Metro."

ainda assim, é o melhor!
De Paula a 9 de Junho de 2007 às 21:03
vivo em lx. mas sou ribatejana.

já vi um mendigo a pedir ao mesmo tempo que falava ao telemovel.
ainda ha p cá a história do pedinte coxo, que mete a moleta debaixo do braço e vai a correr apanhar o autocarro!!!

e conheço vais mendigos... por motivos de trabalho... vejo pessoa a pagarem-lhes comida - come mais e melhor que muito portugues que passa o dia a trabalhar e ainda se dão ao luxo de estragar comida.

a carrinha de uma associação todas as noites para em varios pontos da cidade.. alguns deitam as sandes fora e reclam por bolo... enfim...
.. e sim deve haver mesmo quem precise de ajuda, mas como saber onde estão?? quem são???


melhor sorte para quando voltares.
De GuidinhaPinto a 7 de Maio de 2008 às 11:28
Compreendo do que fala. Todas as grandes metrópoles são impessoais. Sou alfacinha de gema. Os mendigos pululam como cogumelos na minha cidade. Cai-nos tudo em cima, os nossos e os europeus e os brasileiros ... Quanto à solidão ... Olhe que na província, não posso perguntar 'Então como vai?' que não tenha de ouvir o relambório das doenças e os respectivos diagnósticos. É um mal que nos aflige a todos, portugueses em geral. A solidão é geral. A indiferença também o começa a ser. Andamos todos um bocado perdidos. Cabe aos mais novos e atentos, dar a volta à situação.
Cordiais saudações
De Insaciavel a 10 de Junho de 2007 às 01:08
Nada mais há a acrescentar. Lamento o assalto que tanto poderia ser em Lisboa, Paris ou numa cidade do interior de Portugal.

Quanto à suposta indiferença pelos pedintes, também já foi explicada. É uma forma de defesa pois é economicamente impossivel ajudar todos e humanamente complicado avaliar os que de facto precisam mesmo de ajuda.

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