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Sábado, 9 de Outubro de 2004
Um desabafo sobre o meu Alentejo.... (A Vida de Casado segue dentro de momentos)
No meu Alentejo passam-se coisas muito bizarras. No meu Alentejo (o que existe dentro da minha cabeça) oiço vozes e vejo imagens que me fazem enlouquecer. Nesse meu Alentejo vejo coisas lindas: As suas cores na Primavera e no Outono; as terras brancas e azuis; as pessoas da terra onde moro (as quais ainda se cumprimentam quando passam umas pelas outras); a qualidade de vida que tenho (que muitos dos meus amigos urbanos gostariam de usufruir); as potencialidades que por todo ele existem.
Depois vejo e oiço outras coisas: vejo muita discussão sobre o seu futuro, vejo terra desaproveitada, vejo agricultores desesperados, vejo engenheiros e doutores com grandes conversas técnicas para pessoas que só querem saber como voltar a viver dos rendimentos agrícolas ou rurais. Vejo engenheiros e doutores, com responsabilidades na área agrícola e rural, a referirem-se aos agricultores como “eles”, como se “eles” fossem uma espécie diferente composta essencialmente por estúpidos e ignorantes que só pensam em dinheiro (sim, porque “eles” podem muito bem sobreviver comendo terra e bebendo água). Sim, a culpa é “deles” dos que trabalham praticamente de sol a sol, que tentam vender os seus produtos em pequenos mercados ou à beira da estrada, que não se associam com medo do que aconteceu no passado, dos que nunca foram apoiados com uma efectiva e estruturada EXTENSÃO RURAL ESTATAL (como nos outros países que invejamos, sei lá: IRLANDA, FRANÇA, ITÁLIA, HOLANDA, etc.….) dos que se tornaram subsidio dependentes porque os doutores e engenheiros assim lhes disseram, dos que agora já não acreditam no que os doutores e engenheiros lhes dizem e tentam sobreviver com a sua experiência, dos que têm que aturar recém licenciados, ou mestrados, ou doutorados, que nunca viram uma enchada à frente e que assumem que a experiência de uma vida dedicada à agricultura é inferior aos anos de marranço teórico que as nossas instituições proporcionam. Sim, a culpa é “deles”, dos que vêem no Alqueva a última esperança, dos que têm um amor à terra que os urbanos não entendem, nem nunca irão entender. Dos que não percebem porque razão os políticos se digladiam com merdas sem sentido.
Pois é, estas vozes que ouço não se calam. Dizem-me ainda muito mais coisas. Perguntam-me porque razão o governo não investe numa educação de qualidade, em vez de promover uma luta silenciosa entre instituições de ensino superior agrícola, para no fim ver quais as que conseguem sobreviver? (a minha aposta vai para as do litoral, porque será?) Porque razão não investem SERIAMENTE nas Associações de Desenvolvimento Local? Fazendo com que elas se deixem de preocupar com a sua sobrevivência e possam se preocupar mais com o que realmente interessa: as populações rurais onde estão inseridas. Porque razão não se fazem estudos sérios e sem politiquices, sobre as reais potencialidades existentes no meio rural do Alentejo e se trabalha a partir daí? Porque razão se tenta enfiar areia nos olhos das pessoas com Aeroportos (cujo o processo de criação parece uma novela mexicana que mete traições, intrigas e outras merdas próprias de políticos ansiosos por protagonismo) e Alquevas, dando a entender que só aí residem as esperanças.
PORRA, A ESPERANÇA ESTÁ NAS PESSOAS QUE AQUI VIVEM E QUE O QUEREM CONTINUAR A FAZER E NÃO EM PROJECTOS IMPOSTOS POR PESSOAS QUE VIVEM A MILHARES DE QUILÓMETROS DA REALIDADE LOCAL.
A ESPERANÇA ESTÁ EM PEQUENOS PROJECTOS SIMPLES FEITOS PARA E COM OS LOCAIS.
Esta merda de ler jornais e assistir a colóquios dá cabo de mim. Tenho que passar a ver novelas e futebóis porque ando com a impressão que estou a sair da manada. Qualquer dia ainda me meto na política. Até já tenho nome para o meu partido: Força dos Oprimidos Dispensáveis e Indesejáveis Desesperados por Opções Sensatas. Os F.O.D.I.D.O.S. (porra, sempre que penso em política só me saiem asneiras, estranho).
Havia muito mais para dizer, mas acho que vai começar uma novela.
publicado por Luis às 17:31
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2 comentários:
De Anónimo a 14 de Novembro de 2006 às 15:58
Tens o meu voto!
De R.R. a 18 de Fevereiro de 2008 às 21:17
Concordo plenamente... Há que dizer as coisas como elas são... "Mái nada"!

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