- Pai, estou bonita? – pergunta-me o membro mais recente da família, do alto dos seus 6 anos, e enquanto dá uma volta.
- Sim! Muito bonita mesmo. – respondo eu, depois de olhar cuidadosamente para o que ela tinha vestido.
- Mãe, tinhas razão! Afinal o vestido fica-me mal! – diz ela, enquanto vai para o seu quarto ter com a mãe.
Conclusão: Integração Totalmente Finalizada!
P.S.- E a que propósito vem um post agora? Simples: O livro passou a digital (e a um preço imperdível) e preciso de vender, logo, nada melhor do que pôr um post para vos chamar a atenção. Pelo que, para já, não é um regresso. É marketing!
Fui desafiado para escrever umas crónicas, no site aMulher, embora eu tenha dito que o tempo para a escrita não existia, simplesmente não aceitaram um não......mulheres.... Assim aqui está a minha primeira crónica: http://www.amulher.com/cronicas/vida-de-c
Resta-vos agora esperar que as moças do site continuem a insistir comigo, para que as crónicas continuem :)
à noite depois do jantar:
- Olha lá, o que achas deste parágrafo, deste artigo? - pergunto à minha mulher. - "If we look at rural development process, we can detect some..."
- Hoje caguei duas vezes. - diz a nossa filha interrompendo-me.
Para o Jantar:
Crepes- 66,66% (2 votos)
Sopa - 33,33% (1 voto)
Resultado Final: Sopa e asfixia democrática.
- Quando é que voltas a escrever no blog? – pergunta-me ela.
- Com o número de tarefas domésticas que me dás, onde é que eu tenho tempo para fazer outras coisas? – pergunto-lhe, ao mesmo tempo que me sento, coloco a minha gaveta das meias ao colo, e me preparo para separar as minhas meias rotas, das não rotas.
- Sentia-te mais feliz quando escrevias. – continua ela, agarrando na minha gaveta e colocando todas as minhas meias no lixo.
- Mas sobre o que é que queres que eu escreva? Não é que haja rotina entre nós. – digo, enquanto, involuntariamente, engulo em seco – Mas sem assunto e com demasiadas coisas na cabeça, relacionadas com o trabalho, não consigo escrever. – digo, enquanto vasculho no lixo, à procura das minhas meias dos “Looney Tunes” e dos “Simpsons”.
- Mas se escrevesses, talvez te descontraísses e até te podias sentir melhor. – continua ela, arrancando-me das mãos as minhas meias preferidas (com um bonito desenho do Bart Simpson) ao mesmo tempo que acende um isqueiro.
- Não me sinto com criatividade, pá! – digo, apagando com um sopro, o isqueiro – Já nem sei se conseguiria escrever alguma coisa de jeito. – digo triste, enquanto corro pela casa com as meias que consegui salvar da incineração.
- Mãe, Pai! Amanhã é dia de escola… - diz a nossa filha, descendo as escadas - …e se vocês não se calam não durmo! – diz, olhando para nós, meio assustada, ao ver-nos no wrestling e ao sentir um cheiro a queimado, que começava a espalhar-se pela casa.
Este último provoca-me alguns arrepios….eu, no mundo das mulheres…. bom, no Sociedade Civil era o único homem presente…tudo isto até acaba por ter algumas vantagens para alguém que, como eu, prefere escrever a falar: estar no mundo das mulheres, ou ser o único homem no meio de mulheres, facilita bastante a minha tarefa de falar o mínimo possível.
- Então? Já decidiste onde vamos nos feriados? - pergunta-me ela.
- Achas que tenho tido tempo para isso? - respondo eu, com o habitual bom humor que me tem caracterizado nos últimos tempos. - O melhor é anularmos isso e marcar o dia de férias para outra altura. Isto anda demasiado complicado. - digo, no meu papel de sindicalista.
- Deixa-te de merdas! Não podes continuar a carregar o mundo às costas. A tua família também precisa de ti! - diz-me a minha consciência, mostrando finalmente, toda a sua hipocrisia, pois é ela que tem a lata de me chatear diariamente, obrigando-me a lutar por certos direitos (sob ameaça de não me deixar dormir) e a levar ao colo algumas pessoas, que não sei se o merecem.
- Ok. Não te preocupes. Eu vou já tratar disso. - digo - Onde é que querem ir? - pergunto, iniciando desta forma o processo democrático de decisões familiares.
- Eu gostava de ir para a praia, mas para um sitio novo. - responde a minha mulher.
- E tu filha? - pergunto.
- Eu gostava de ir acampar outra vez para o Gerês. - responde ela.
- Então está decidido. A maioria manda e manda acampar para o Gerês! - digo, dando por terminado o processo democrático de decisões familiares.
E assim lá fomos para uma praia na costa espanhola, gastar um pipa de massa na merda de um hotel, perto de um tal parque natural de Doñana.
- Vocês não saem de perto da piscina? Venham comigo à praia. Foi para isso que para cá viemos! - diz a Ahmadinejad* da família
- Não gosto da praia. Está toda suja e cheia de gente! - responde a nossa filha.
- E eu na praia não apanho rede. - digo, enquanto vou lendo e respondendo a mails a partir do meu maravilhoso telemóvel, o qual está a precisar de ser substituído por um outro, que tenha um teclado de jeito, tendo eu insinuado isso mesmo à minha mulher (mostrando-lhe os calos provocados pela escrita de mails usando um teclado numérico) mas que esta pura e simplesmente ignorou, fingindo-se irritada, por não ter ninguém para a acompanhar à praia.
E assim se passavam os dias. Tudo parecia correr normalmente. De um lado eu e a nossa filha, na piscina. Ela com os seus recentes amigos e eu, com a adrenalina no máximo, a acompanhar notícias e a ler e enviar mails, usando o meu quase maravilhoso telemóvel. Do outro lado a minha mulher a ir para a praia sozinha. Mas...um dia tudo mudou.
- Amanhã vamos andar de cavalo? - pergunta a Sócrates** da família, fingindo uma humildade que não tem.
- Vamos! - reage a pobre criança, facilmente enganada por conversas moles.
- Quanto custa? - pergunto eu, enquanto vou tentando aliviar os calos nos dedos com gelo.
E lá fomos gastar mais uma pipa de massa, num passeio a cavalo que, supostamente, seria pelo parque natural.
Quando lá chegámos perguntaram-nos, num espanhol típico do sul: - Quien tiene experiencia con caballos?
Como sou um erudito em várias línguas, cheguei-me à frente e disse: - Io tieno experiencia con cabalos dos caros. (para quem não percebe o espanhol, trata-se de uma pequena piadola, com a qual pretendia mitigar o suposto embaraço que causei à minha mulher, por regatear o preço do passeio, e com a qual pretendia dizer que, experiência com cavalos, só os dos carros***).
Assim que disse esta piadola, fui imediatamente posto de lado, e fui contemplado com o último cavalo. Por sinal, um animal bastante irrequieto que me provocou, logo ali, algum nervosismo e me fez perguntar: - És un bueno cavallo?
Ao que me responderam:
- És el caballo mas caro que tiniemos.
Julguei, na altura, que se tratava de uma piada que eu, sinceramente, não percebi.
Bom....O melhor que posso dizer sobre o passeio, é que o mesmo não correu da melhor maneira, nem para mim, nem para os donos dos caballos... A única pessoa que efectivamente se divertiu com toda a situação foi a nossa filha que, pelo que me lembro, nunca se riu tanto na sua curta vida, e que, ainda hoje, não pode ouvir as palavras: Pára! Por Favor! Foda-se! Cavalo! Salvam-me! Mãezinha! Socorro! Aiii!; ou ainda: Quero o meu dinheiro de volta!; sem largar uma valentes gargalhadas.****
Para terminar estas espectaculares mini-férias, só faltou um ataque de mosquitos, os quais, na minha última contagem, me picaram 124 vezes. A minha única consolação é que metade deles morreu, devido ao excesso de colesterol, e a outra metade, de ataque cardíaco, por excesso de adrenalina.
*referência altamente intelectual e actual, coisa que já há muito tempo não se via neste blog
** Duas referências altamente intelectuais no mesmo post!!!!
*** Ok. É uma piadola fraca, admito.
**** Nota importante: no espanholês da Andaluzia, caro, não é carro, é mesmo caro!
Algo vai mal numa relação quando o homem descobre, apenas ao estender a roupa, que a sua mulher possui cuecas sexy da Playboy....Porra pá! Tínhamos combinado que ela nunca mais se ia esquecer de entregar a merda dos comprovativos de compras, a mim, o gestor de finanças da familia!
“Todos os anos a minha mulher se queixa que eu nunca lhe faço uma festa surpresa. Este ano vai ser diferente, pelo que estão todos convidados para o almoço de Domingo na minha casa. Eu faço a surpresa e vocês o almoço.”
Eis como, através de um simples SMS que enviei a todos os nossos amigos, começou aquela que foi, de acordo com a minha mulher, o mais surpreendente dia de anos que teve.
Felizmente alguns dos meus amigos levam-me a sério e resolveram fazer mesmo o almoço (passaram imediatamente para a categoria de melhores amigos, destronando outros, que pensam que estou sempre na brincadeira). A coisa ficou combinada da seguinte forma: eu, supostamente, iria levá-la a comer fora, apenas com mais duas amigas, e entretanto algo iria acontecer que nos obrigaria a voltar para casa e aí…Pumba!!! Surpresa!!!
- E o que é que vais inventar para te obrigar a voltar para casa? – pergunta-me uma das que estava na categoria de melhor amiga.
- Não te preocupes com isso! Pelo menos vê se fazes a porra de um doce, para não me apareceres aqui de mãos a abanar. – respondo, deixando-a amuada.
Foi aí que me surgiu a ideia! Se eu conseguir que a minha mulher amue vai querer voltar rapidamente para casa. Mas depois pensei melhor e cheguei à conclusão que as mulheres, quando amuam, ficam com uma certa tendência para a violência, pelo que após ter ido trocar de roupa, devido ao banho de chá que a minha antiga amiga me enviou para cima, pensei que o melhor seria inventar outra coisa.
Chega então o dia. A sua disposição não podia ser melhor:
- Então vamos à Vidigueira, a um dos restaurantes mais caros da região, e nós é que pagamos? Por que razão não podemos dividir a conta com as nossas amigas? Elas não se importam? – dizia ela, meio irritada por já serem horas de almoço e eu ainda não lhe ter dado qualquer presente.
- Deixa de ser sovina, esse é o meu papel! – digo, com a minha habitual sinceridade.
- E porque é que não comemos aqui em casa? Elas vêm cá ter e eu faço o almoço.
- No teu dia de anos? Fazeres o almoço? Nem pensar. O que raio é que tu pensas que é a tua prenda? Este almoço vai-me custar os olhos da cara.
Bom, depois disto tive algumas dificuldades em tirá-la de casa, mas lá a convenci que a reserva que fiz no restaurante implicou o pagamento de um significativo sinal.
Chegados à Vidigueira, tive que fingir que não fazia ideia onde ficava o restaurante, de forma a ter tempo para que os nossos melhores amigos, e os outros, chegassem à nossa casa e preparassem tudo. Quando estávamos “perdidos” algures numa praça, toca o meu telemóvel. Era a deixa para voltarmos.
- O quê? Teve um princípio de enfarte? Mas…. – dizia eu, já depois de, do outro lado, terem desligado – Estão à porta da nossa casa? E ela, como está?........Ui…..Não se preocupem, vamos já para aí. Pede as chaves da nossa casa à nossa vizinha e entra com ela. Deita-a numa cama para ver se melhora. Nós vamos já para aí!
Confesso que quando desliguei o telefone e olhei para a minha mulher, pensei que ela tivesse desconfiado que havia ali uma marosca, tal era o brilho nos seus olhos. Autocritiquei-me pelo meu excessivo exagero.
- Mas….a Graça?? Outra vez?? Mas…?? – dizia ela, com aflição e quase a chorar.
Suspirei de alívio (muito discretamente, claro).
- Pois… Sentiu-se mal quando estavam a caminho e, por sorte, estavam a passar perto da nossa casa. – disse-lhe, com um ar muito preocupado – Vamos depressa! Provavelmente teremos que chamar o INEM!
Entrámos no carro e voltámos rapidamente para casa. Pelo caminho, enquanto ela soluçava, não consegui evitar uns pequenos risos (que disfarçava como podia, ou seja, como se também estivesse a chorar de preocupação) pensando na surpresa que ela iria ter.
Mal chegámos, ela saiu (quase com o carro em andamento) e entrou em casa a gritar pela sua amiga. E foi aí que todos apareceram a cantar-lhe os parabéns.
Quando a conseguimos reanimar (com algum esforço, diga-se de passagem) chamou-me a um canto e deixou bem claro que nunca mais iria querer festas surpresas no seu aniversário.
Mas ela ainda não sabia que mais surpresas vinham a caminho…..
Depois do excelente almoço feito pelo, agora, nosso melhor amigo. Pedi a palavra.
- Meus amigos – disse para o geral - …e conhecidos – disse, dirigindo-me especificamente para quem (há uns dias) me tinha dado um banho de chá – Quero agradecer a vossa presença nesta festa, a qual serve para mostrar que as rugas na cara da minha mulher são o resultado directo da sua idade, e que os cremes pouco ou nada podem fazer, relativamente a isso. – é sempre bom começar um discurso com uma piadola (à qual, só o meu novo melhor amigo se riu).
Depois de mais uma série de considerações sobre o que era viver com uma mulher que se aproximava, de uma forma galopante, da menopausa (sentindo sempre o apoio incontestável do meu novo melhor amigo) achei que estava na altura de puxar ao sentimentalismo.
- Para terminar, quero dizer que me encontro casado com a mulher da minha vida, a qual já admitiu por várias vezes que é uma grande chata, e que isso é a causa de muitas das nossas discussões. Pelo que agora também quero eu admitir algo, perante todos vós. Quero te dizer, meu amor – disse, enquanto olhava para os seus lindos olhos e lhe segurava na mão – que tudo isto que fiz por ti hoje, e tudo o que acabei de dizer, provam o quanto gosto de ti e o que estou disposto a fazer para te ver feliz. E também tudo isto - e aqui tive que fazer uma pausa emocional - custou muito menos do que aquele frasco de perfume, que tu querias que eu te oferecesse como prenda.
A forma como os seus olhos voltaram a brilhar e o aperto esmagador que senti na minha mão, serviram para mim, como um claro reconhecimento de todo o amor que, ali naquele momento, ela sentia por mim.
Hoje disse-me que queria dar todos os seus DVDs do Ruca!
ONDE É QUE POSSO ENCONTRAR O BOTÃO DE PAUSA NA VIDA!?
1- Antes da reunião, esfregar bastante, ambos os olhos;
2- No inicio da reunião, forçar uns espirros (no meu caso arrancar um pêlo do nariz foi o suficiente, além de ter a vantagens de pôr os olhos a lacrimejar) certificando-se que os mesmos provocam bastantes perdigotos e que atingem o máximo de pessoas possíveis (principalmente o responsável pela marcação da reunião);
3- Após os espirros, assoar-se ruidosamente e dizer (com voz fanhosa): “Talvez tenha sido má ideia ter ido passar as férias da Páscoa ao México….”