Para o Jantar:
Crepes- 66,66% (2 votos)
Sopa - 33,33% (1 voto)
Resultado Final: Sopa e asfixia democrática.
- Quando é que voltas a escrever no blog? – pergunta-me ela.
- Com o número de tarefas domésticas que me dás, onde é que eu tenho tempo para fazer outras coisas? – pergunto-lhe, ao mesmo tempo que me sento, coloco a minha gaveta das meias ao colo, e me preparo para separar as minhas meias rotas, das não rotas.
- Sentia-te mais feliz quando escrevias. – continua ela, agarrando na minha gaveta e colocando todas as minhas meias no lixo.
- Mas sobre o que é que queres que eu escreva? Não é que haja rotina entre nós. – digo, enquanto, involuntariamente, engulo em seco – Mas sem assunto e com demasiadas coisas na cabeça, relacionadas com o trabalho, não consigo escrever. – digo, enquanto vasculho no lixo, à procura das minhas meias dos “Looney Tunes” e dos “Simpsons”.
- Mas se escrevesses, talvez te descontraísses e até te podias sentir melhor. – continua ela, arrancando-me das mãos as minhas meias preferidas (com um bonito desenho do Bart Simpson) ao mesmo tempo que acende um isqueiro.
- Não me sinto com criatividade, pá! – digo, apagando com um sopro, o isqueiro – Já nem sei se conseguiria escrever alguma coisa de jeito. – digo triste, enquanto corro pela casa com as meias que consegui salvar da incineração.
- Mãe, Pai! Amanhã é dia de escola… - diz a nossa filha, descendo as escadas - …e se vocês não se calam não durmo! – diz, olhando para nós, meio assustada, ao ver-nos no wrestling e ao sentir um cheiro a queimado, que começava a espalhar-se pela casa.
Este último provoca-me alguns arrepios….eu, no mundo das mulheres…. bom, no Sociedade Civil era o único homem presente…tudo isto até acaba por ter algumas vantagens para alguém que, como eu, prefere escrever a falar: estar no mundo das mulheres, ou ser o único homem no meio de mulheres, facilita bastante a minha tarefa de falar o mínimo possível.
- Então? Já decidiste onde vamos nos feriados? - pergunta-me ela.
- Achas que tenho tido tempo para isso? - respondo eu, com o habitual bom humor que me tem caracterizado nos últimos tempos. - O melhor é anularmos isso e marcar o dia de férias para outra altura. Isto anda demasiado complicado. - digo, no meu papel de sindicalista.
- Deixa-te de merdas! Não podes continuar a carregar o mundo às costas. A tua família também precisa de ti! - diz-me a minha consciência, mostrando finalmente, toda a sua hipocrisia, pois é ela que tem a lata de me chatear diariamente, obrigando-me a lutar por certos direitos (sob ameaça de não me deixar dormir) e a levar ao colo algumas pessoas, que não sei se o merecem.
- Ok. Não te preocupes. Eu vou já tratar disso. - digo - Onde é que querem ir? - pergunto, iniciando desta forma o processo democrático de decisões familiares.
- Eu gostava de ir para a praia, mas para um sitio novo. - responde a minha mulher.
- E tu filha? - pergunto.
- Eu gostava de ir acampar outra vez para o Gerês. - responde ela.
- Então está decidido. A maioria manda e manda acampar para o Gerês! - digo, dando por terminado o processo democrático de decisões familiares.
E assim lá fomos para uma praia na costa espanhola, gastar um pipa de massa na merda de um hotel, perto de um tal parque natural de Doñana.
- Vocês não saem de perto da piscina? Venham comigo à praia. Foi para isso que para cá viemos! - diz a Ahmadinejad* da família
- Não gosto da praia. Está toda suja e cheia de gente! - responde a nossa filha.
- E eu na praia não apanho rede. - digo, enquanto vou lendo e respondendo a mails a partir do meu maravilhoso telemóvel, o qual está a precisar de ser substituído por um outro, que tenha um teclado de jeito, tendo eu insinuado isso mesmo à minha mulher (mostrando-lhe os calos provocados pela escrita de mails usando um teclado numérico) mas que esta pura e simplesmente ignorou, fingindo-se irritada, por não ter ninguém para a acompanhar à praia.
E assim se passavam os dias. Tudo parecia correr normalmente. De um lado eu e a nossa filha, na piscina. Ela com os seus recentes amigos e eu, com a adrenalina no máximo, a acompanhar notícias e a ler e enviar mails, usando o meu quase maravilhoso telemóvel. Do outro lado a minha mulher a ir para a praia sozinha. Mas...um dia tudo mudou.
- Amanhã vamos andar de cavalo? - pergunta a Sócrates** da família, fingindo uma humildade que não tem.
- Vamos! - reage a pobre criança, facilmente enganada por conversas moles.
- Quanto custa? - pergunto eu, enquanto vou tentando aliviar os calos nos dedos com gelo.
E lá fomos gastar mais uma pipa de massa, num passeio a cavalo que, supostamente, seria pelo parque natural.
Quando lá chegámos perguntaram-nos, num espanhol típico do sul: - Quien tiene experiencia con caballos?
Como sou um erudito em várias línguas, cheguei-me à frente e disse: - Io tieno experiencia con cabalos dos caros. (para quem não percebe o espanhol, trata-se de uma pequena piadola, com a qual pretendia mitigar o suposto embaraço que causei à minha mulher, por regatear o preço do passeio, e com a qual pretendia dizer que, experiência com cavalos, só os dos carros***).
Assim que disse esta piadola, fui imediatamente posto de lado, e fui contemplado com o último cavalo. Por sinal, um animal bastante irrequieto que me provocou, logo ali, algum nervosismo e me fez perguntar: - És un bueno cavallo?
Ao que me responderam:
- És el caballo mas caro que tiniemos.
Julguei, na altura, que se tratava de uma piada que eu, sinceramente, não percebi.
Bom....O melhor que posso dizer sobre o passeio, é que o mesmo não correu da melhor maneira, nem para mim, nem para os donos dos caballos... A única pessoa que efectivamente se divertiu com toda a situação foi a nossa filha que, pelo que me lembro, nunca se riu tanto na sua curta vida, e que, ainda hoje, não pode ouvir as palavras: Pára! Por Favor! Foda-se! Cavalo! Salvam-me! Mãezinha! Socorro! Aiii!; ou ainda: Quero o meu dinheiro de volta!; sem largar uma valentes gargalhadas.****
Para terminar estas espectaculares mini-férias, só faltou um ataque de mosquitos, os quais, na minha última contagem, me picaram 124 vezes. A minha única consolação é que metade deles morreu, devido ao excesso de colesterol, e a outra metade, de ataque cardíaco, por excesso de adrenalina.
*referência altamente intelectual e actual, coisa que já há muito tempo não se via neste blog
** Duas referências altamente intelectuais no mesmo post!!!!
*** Ok. É uma piadola fraca, admito.
**** Nota importante: no espanholês da Andaluzia, caro, não é carro, é mesmo caro!
Algo vai mal numa relação quando o homem descobre, apenas ao estender a roupa, que a sua mulher possui cuecas sexy da Playboy....Porra pá! Tínhamos combinado que ela nunca mais se ia esquecer de entregar a merda dos comprovativos de compras, a mim, o gestor de finanças da familia!
“Todos os anos a minha mulher se queixa que eu nunca lhe faço uma festa surpresa. Este ano vai ser diferente, pelo que estão todos convidados para o almoço de Domingo na minha casa. Eu faço a surpresa e vocês o almoço.”
Eis como, através de um simples SMS que enviei a todos os nossos amigos, começou aquela que foi, de acordo com a minha mulher, o mais surpreendente dia de anos que teve.
Felizmente alguns dos meus amigos levam-me a sério e resolveram fazer mesmo o almoço (passaram imediatamente para a categoria de melhores amigos, destronando outros, que pensam que estou sempre na brincadeira). A coisa ficou combinada da seguinte forma: eu, supostamente, iria levá-la a comer fora, apenas com mais duas amigas, e entretanto algo iria acontecer que nos obrigaria a voltar para casa e aí…Pumba!!! Surpresa!!!
- E o que é que vais inventar para te obrigar a voltar para casa? – pergunta-me uma das que estava na categoria de melhor amiga.
- Não te preocupes com isso! Pelo menos vê se fazes a porra de um doce, para não me apareceres aqui de mãos a abanar. – respondo, deixando-a amuada.
Foi aí que me surgiu a ideia! Se eu conseguir que a minha mulher amue vai querer voltar rapidamente para casa. Mas depois pensei melhor e cheguei à conclusão que as mulheres, quando amuam, ficam com uma certa tendência para a violência, pelo que após ter ido trocar de roupa, devido ao banho de chá que a minha antiga amiga me enviou para cima, pensei que o melhor seria inventar outra coisa.
Chega então o dia. A sua disposição não podia ser melhor:
- Então vamos à Vidigueira, a um dos restaurantes mais caros da região, e nós é que pagamos? Por que razão não podemos dividir a conta com as nossas amigas? Elas não se importam? – dizia ela, meio irritada por já serem horas de almoço e eu ainda não lhe ter dado qualquer presente.
- Deixa de ser sovina, esse é o meu papel! – digo, com a minha habitual sinceridade.
- E porque é que não comemos aqui em casa? Elas vêm cá ter e eu faço o almoço.
- No teu dia de anos? Fazeres o almoço? Nem pensar. O que raio é que tu pensas que é a tua prenda? Este almoço vai-me custar os olhos da cara.
Bom, depois disto tive algumas dificuldades em tirá-la de casa, mas lá a convenci que a reserva que fiz no restaurante implicou o pagamento de um significativo sinal.
Chegados à Vidigueira, tive que fingir que não fazia ideia onde ficava o restaurante, de forma a ter tempo para que os nossos melhores amigos, e os outros, chegassem à nossa casa e preparassem tudo. Quando estávamos “perdidos” algures numa praça, toca o meu telemóvel. Era a deixa para voltarmos.
- O quê? Teve um princípio de enfarte? Mas…. – dizia eu, já depois de, do outro lado, terem desligado – Estão à porta da nossa casa? E ela, como está?........Ui…..Não se preocupem, vamos já para aí. Pede as chaves da nossa casa à nossa vizinha e entra com ela. Deita-a numa cama para ver se melhora. Nós vamos já para aí!
Confesso que quando desliguei o telefone e olhei para a minha mulher, pensei que ela tivesse desconfiado que havia ali uma marosca, tal era o brilho nos seus olhos. Autocritiquei-me pelo meu excessivo exagero.
- Mas….a Graça?? Outra vez?? Mas…?? – dizia ela, com aflição e quase a chorar.
Suspirei de alívio (muito discretamente, claro).
- Pois… Sentiu-se mal quando estavam a caminho e, por sorte, estavam a passar perto da nossa casa. – disse-lhe, com um ar muito preocupado – Vamos depressa! Provavelmente teremos que chamar o INEM!
Entrámos no carro e voltámos rapidamente para casa. Pelo caminho, enquanto ela soluçava, não consegui evitar uns pequenos risos (que disfarçava como podia, ou seja, como se também estivesse a chorar de preocupação) pensando na surpresa que ela iria ter.
Mal chegámos, ela saiu (quase com o carro em andamento) e entrou em casa a gritar pela sua amiga. E foi aí que todos apareceram a cantar-lhe os parabéns.
Quando a conseguimos reanimar (com algum esforço, diga-se de passagem) chamou-me a um canto e deixou bem claro que nunca mais iria querer festas surpresas no seu aniversário.
Mas ela ainda não sabia que mais surpresas vinham a caminho…..
Depois do excelente almoço feito pelo, agora, nosso melhor amigo. Pedi a palavra.
- Meus amigos – disse para o geral - …e conhecidos – disse, dirigindo-me especificamente para quem (há uns dias) me tinha dado um banho de chá – Quero agradecer a vossa presença nesta festa, a qual serve para mostrar que as rugas na cara da minha mulher são o resultado directo da sua idade, e que os cremes pouco ou nada podem fazer, relativamente a isso. – é sempre bom começar um discurso com uma piadola (à qual, só o meu novo melhor amigo se riu).
Depois de mais uma série de considerações sobre o que era viver com uma mulher que se aproximava, de uma forma galopante, da menopausa (sentindo sempre o apoio incontestável do meu novo melhor amigo) achei que estava na altura de puxar ao sentimentalismo.
- Para terminar, quero dizer que me encontro casado com a mulher da minha vida, a qual já admitiu por várias vezes que é uma grande chata, e que isso é a causa de muitas das nossas discussões. Pelo que agora também quero eu admitir algo, perante todos vós. Quero te dizer, meu amor – disse, enquanto olhava para os seus lindos olhos e lhe segurava na mão – que tudo isto que fiz por ti hoje, e tudo o que acabei de dizer, provam o quanto gosto de ti e o que estou disposto a fazer para te ver feliz. E também tudo isto - e aqui tive que fazer uma pausa emocional - custou muito menos do que aquele frasco de perfume, que tu querias que eu te oferecesse como prenda.
A forma como os seus olhos voltaram a brilhar e o aperto esmagador que senti na minha mão, serviram para mim, como um claro reconhecimento de todo o amor que, ali naquele momento, ela sentia por mim.
Hoje disse-me que queria dar todos os seus DVDs do Ruca!
ONDE É QUE POSSO ENCONTRAR O BOTÃO DE PAUSA NA VIDA!?
1- Antes da reunião, esfregar bastante, ambos os olhos;
2- No inicio da reunião, forçar uns espirros (no meu caso arrancar um pêlo do nariz foi o suficiente, além de ter a vantagens de pôr os olhos a lacrimejar) certificando-se que os mesmos provocam bastantes perdigotos e que atingem o máximo de pessoas possíveis (principalmente o responsável pela marcação da reunião);
3- Após os espirros, assoar-se ruidosamente e dizer (com voz fanhosa): “Talvez tenha sido má ideia ter ido passar as férias da Páscoa ao México….”
As pessoas do mundo MEO dizem, ao pai mafarrico, que o assunto é complexo. As pessoas do mundo TMN pedem para ligar para um número qualquer do mundo TMN e despedem-se sempre com simpático “Até já” no final do mail. O pai mafarrico dá-lhes o seu número de telemóvel (que não pertence ao mundo TMN) e pede-lhes que sejam eles a ligar-lhe, terminando igualmente com um “Até Já”. Fica depois, ansiosamente, a aguardar que o seu telemóvel toque. Mas, tal como acontecia na sua adolescência (com determinadas mafarricas a quem o pai mafarrico dava o seu número de telefone) ninguém lhe liga, pelo que fica um pouco abatido (principalmente pelas tristes recordações da sua adolescência que isso lhe provoca).
No meio de tudo isto a mãe mafarrico arranjou assunto de conversa para os serões nocturnos, deixando de telefonar à sogra mafarrica.
O pai mafarrico cada vez está mais abatido com tudo isto e mais abatido fica quando recebe duas cartas. Uma do mundo TMN dizendo que se não pagar a mensalidade, cortam-lhe o serviço de banda larga móvel, devendo depois pagar mais uns 30€ para o reactivar. E do mundo MEO transformaram um complexo problema, numa simples resposta de um parágrafo:
"Após análise dos nossos sistemas de informação relativamente ao Serviço Banda Larga Móvel, não verificamos qualquer incorrecção aos valores facturados. Face ao exposto não nos é possível deferir o pretendido." – digo, e volto a repetir o mesmo parágrafo, talvez levado pela emoção, num tom um pouco mais elevado.
- Pai. Pára! Essa história já me está a chatear e não tem piada nenhuma- diz-me ela enquanto lava os dentes. Mas agora já nada me podia parar...
- O pai mafarrico, depois dos “Até Já”, das vozes simpáticas que ouvia quando telefonava para o mundo MEO, da solidariedade que sentia nessas pessoas, das simpáticas trocas de mail, sentiu, nesta fria carta, uma certa atitude de rejeição e, mais uma vez, momentos dolorosos da sua adolescência lhe vieram à mente.
Voltou a mandar mails, a telefonar, a enviar comprovativos que provavam que não tinha tido gasto a Internet que lhe diziam. Telefonou até para o mundo TMN onde, após 4 € de conversa, lhe deram razão, e lhe deram outro número (TMN) para ele ligar e onde após, mais uns 5€ de conversa, percebeu que alguém, do Universo PT, tinha escolhido, por ele, um tarifário banda larga à sua medida (tal e qual o mesmo comportamento que a mãe mafarrico tinha quando compra roupa ao pai mafarrico).
O pai mafarrico cada vez se sentia mais isolado. Do mundo PT voltaram a dizer-lhe que o seu assunto era complexo, pelo que aguardou mais uma carta de rejeição. Do mundo TMN, pouco ou nada lhe diziam. A mãe mafarrico, no meio de tudo era aquela que ainda dizia mais. O pai mafarrico sentiu que tudo isto lhe estava a afectar a qualidade da sua vida matrimonial, devido, não só, às constantes recordações da adolescência, mas também pelo perda frequente de séries da TV por a mãe mafarrico lhe exigir interactividade nas conversas sobre este problema. Percebeu, no meio disto tudo que, dentro do Universo PT, os mundos, que lá existem, não se entendem uns com os outros. Um mundo dizia que a culpa era do outro e o outro dizia que era do um. E no meio de tudo isto, o pai mafarrico servia como simples mensageiro. Um dia fartou-se e resolveu escrever para a Defesa dos Enganados pelos Universos Sobranceiros (DEUS). Com a ajuda de DEUS, o pai mafarrico conseguiu, finalmente, que alguém do Universo PT lhe telefonasse e lhe dissesse que tudo iria ser resolvido, tal como o pai mafarrico desejava.
- Porra pá!!! Até quando é que vais continuar a inventar histórias que contam sempre a mesma merda? Queres que te diga que és um herói? Desliga mas é a luz e vê se dormes e me deixas dormir. Que trauma de merda tu apanhaste com essa história. Se me deixasses ser eu a resolver o problema, garanto-te que a essa história não durava metade do que durou. Vê lá agora se a esqueces e me deixas dormir em paz. – diz a minha mulher, ainda irritada, certamente pelo que se passou ao jantar, antes de me obrigar a desligar a luz e a virar-me para o outro lado da cama.
- Agora o pai mafarrico vai pedir ajuda a DEUS para que o Universo Caixa Geral de Depósitos o trate como deve ser e deixe de lhe cobrar, todos os anos, um prémio de seguro errado. – digo baixinho e com um sorriso maquiavélico, antes de levar com uma almofada na cabeça.
- Pai, não gosto da comida.- diz ela, mal disposta.
- Eu também não, mas já a consegui acabar. – digo, com algum mal estar.
- Vocês são uma cambada de ingratos. Qualquer dia deixo de vos fazer comida. – responde a causadora de toda esta agonia. Deixando depois a cozinha (bastante irritada), só porque a sua última frase nos provocou um bater de palmas, totalmente espontâneo.
- Conta-me uma história para me ajudar a comer. – pede-me ela, após mais uma garfada e respectivo esgar.
- Era uma vez – começo – num país muito, muito perto, uma família muito feliz de mafarricos…
- O que são mafarricos? – interrompe-me ela.
- Se me voltas a interromper, meto-te mais comida no prato.
- Desculpa. Podes continuar.
- Havia o pai mafarrico, a mãe mafarrica e a filha mafarrica. Viviam muito felizes dentro da sua casinha. Um dia bateram à porta e a mafarrica mais pequena foi abrir. Era um mafarrico muito elegante, o qual, mal viu a porta a abrir, entrou na casa e afirmou que estava ali para mudar a vida dos mafarricos. Muito bem falante, começou a contar sobre as maravilhas que tinha ali numa caixa que trazia, bem escondida debaixo da sua capa. Dizia que, com aquela caixa, mundos desconhecidos iriam aparecer, por magia, à frente dos olhos. Dirigiu-se à mafarrica mais pequena e contou-lhe de mundos com desenhos que se mexiam e de brinquedos que ganhavam vida. Para o pai mafarrico, falou em mundos de comédia e drama, para a mãe mafarrico falou em mundos de moda e decoração, o que levou a uma discussão da mãe mafarrico sobre os porquês do mafarrico bem falante assumir que, por ela ser mafarrica, só lhe interessavam os mundos de futilidades. Mas a discussão depressa acabou, quando a mãe mafarrico se lembrou, em pânico, que ainda não tinha escolhido a roupa para a filha mafarrico levar no outro dia à escola.
O mafarrico bem falante, falou ainda de chamadas telefónicas de borla, o que fez os olhos do pai mafarrico brilharem, ao pensar que a mãe mafarrico poderia agora ficar horas a falar com a sogra mafarrico e assim deixar mais tempo o pai mafarrico em paz. Falou também de uma Internet sem limites. Da possibilidade de terem também acesso a essa rede quando vão para fora, o que fez, mais uma vez, os olhos do pai mafarrico brilharem, ao pensar que assim já não lhe iria custar tanto ir visitar a sogra mafarrico.
Antes que a mãe mafarrico acabasse de escolher a roupa da filha mafarrico, o pai mafarrico assinou um papel que lhe deu entrada nesse fantástico mundo da MEO.
A mãe mafarrico fartou-se de gritar com o pai mafarrico, por ele ter assinado o papel sem ela ser tida em conta, mas o pai mafarrico não ligou muito. Ainda tinha os olhos a brilhar.
Tudo foi tratado e tudo foi resolvido, e no inicio tudo correu como o mafarrico elegante tinha prometido: o pai mafarrico e a filha mafarrico bulhavam pelo telecomando e a mãe mafarrico gastava a sua voz a falar com a sogra mafarrico, e em casa dos mafarricos a paz estava instalada.
Mas um dia, o pai mafarrico recebeu dois papéis. Um do mundo Meo e outro do mundo TMN. Esses papéis deixaram o pai mafarrico furibundo. Neles estava escrito que o pai mafarrico tinha que pagar muito dinheiro pela Internet móvel à Meo e uma assinatura pelo uso da mesma Internet Móvel, à TMN.
Foi a partir desse dia que tudo mudou e o mundo de paz destes mafarricos terminou…
Para que raio serve o Twitter? Para desafios, claro.
Olha! O Livro!
Quem quiser o envio para o estrangeiro, contacte-me.

